Jovens latinos: maior orgulho étnico, menor risco de depressão

fevereiro 19, 2019
Contact: Fernanda Pires fpires@umich.edu

Jovens latinos: maior orgulho étnico, menor risco de depressão

ANN ARBOR—Os jovens latinos que se identificam vigorosamente com seu grupo étnico são menos propensos a desenvolver sintomas de depressão, de acordo com um estudo da Universidade de Michigan.

Pesquisas anteriores mostraram que, se comparados a membros de qualquer outro grupo étnico-racial, a depressão afeta em índices maiores, tanto os latinos nascidos nos Estados Unidos, quanto os imigrantes, de todas as idades. Isso inclui brasileiros e seus filhos, que são classificados como latinos e também desenvolvem uma identidade étnica como parte desse grupo.

Fernanda Lima Cross

Fernanda Lima Cross

“Adolescentes latinos correm um risco de depressão mais elevado, por isso é importante identificarmos maneiras de protegê-los,” disse a pesquisadora brasileira Fernanda Lima Cross, doutoranda em psicologia do desenvolvimento na U-M. “Sua identidade étnico-racial, como eles desenvolvem orgulho étnico e aprendem sobre o que significa ser latino, podem servir como um amortecedor contra a depressão.”

O objetivo do presente estudo, publicado na revista Development and Psychopathology, foi compreender melhor os aspectos do desenvolvimento dos adolescentes latinos em relação à sua identidade étnico-racial e como isso se relaciona com os sintomas depressivos neste grupo.

Os dados foram extraídos de um estudo longitudinal que examinou mecanismos culturalmente relevantes para reforçar os resultados positivos da juventude entre as famílias latinas, residentes do sudeste de Michigan. Os 148 participantes, com 13-14 anos de idade no início do estudo, responderam a pesquisas anualmente durante três anos.

Cross e seus colegas do Laboratório CASA (Contextos de Ajuste Acadêmico + Social) da U-M examinaram o papel de três aspectos da identidade étnico-racial entre os adolescentes latinos: 1) centralidade (a importância da etnia ou raça para a identidade); 2) percepção privada (como alguém percebe sua própria etnia ou raça) e 3) percepção pública (como alguém acredita que os outros percebem sua etnia ou raça). Os pesquisadores pediram aos jovens para indicar com que frequência apresentavam sintomas depressivos, usando a Escala de Depressão do Centro de Estudos Epidemiológicos.

“Nós seguimos esses adolescentes durante um período crítico em suas vidas, quando eles desenvolvem a identidade étnica pessoal, aprendem quem eles são como membros do seu grupo étnico e o que significa ser latino,” disse Cross. “A identidade étnica está relacionada a uma extensa variedade de resultados pessoais na vida, incluindo sucesso acadêmico e bem-estar geral.”

As descobertas do estudo sugerem que várias dimensões da identidade étnico-racial estão associadas a menos sintomas depressivos de maneiras distintas em diferentes estágios da adolescência.

Por exemplo, a intensidade em que a etnia dos adolescentes era central, ou mais importante, para eles próprios estava relacionada a sintomas depressivos mais baixos à medida que avançavam até a adolescência. Os adolescentes mais jovens, com percepções positivas mais altas da sua etnia, tiveram índices mais baixos de sintomas depressivos um ano depois.

“Quando mais jovens, a própria percepção dos adolescentes sobre serem latinos era o que mais importava,” disse Cross. “Mas, à medida que iam ficando mais velhos, as percepções dos outros sobre o que é ser latino passaram a ter um papel mais importante e foram associadas a sintomas depressivos mais baixos.”

Esta pesquisa, diz ela, pode oferecer apoio para provedores de saúde mental que trabalham com essa população, especialmente nesta época em que os jovens latinos estão crescendo e desenvolvendo suas identidades em meio a um ambiente de exclusão social e estigmatização, onde os imigrantes do seu grupo étnico são comumente denegridos através de exposição negativa na mídia e ordens de deportações em massa.

“Os adolescentes estão definitivamente recebendo essas mensagens negativas da sociedade. A boa notícia é que os pais e as pessoas que trabalham com jovens podem contra-atacar, lembrando das contribuições positivas que os latinos fazem,” disse a coautora do estudo Deborah Rivas-Drake, professora de psicologia e educação na U-M e autora do livro “Por baixo da superfície: Conversando com Adolescentes sobre Raça, Etnia e Identidade”.