Possibilidade de depressão em novos médicos depende de onde eles treinam

janeiro 17, 2019
Contact: Fernanda Pires fpires@umich.edu

Doctor resting her head on a wall. iStock image

ANN ARBOR—Cerca de 20.000 futuros médicos se formarão nas faculdades de medicina dos EUA nesta primavera e embarcarão para o treinamento de residência que lança suas carreiras. É neste momento que eles escolhem quais hospitais e sistemas de saúde mais gostariam de treinar.

Um novo estudo, liderado pela pesquisadora brasileira Karina Pereira-Lima, do Departamento de Psiquiatria da U-M, sugere que a saúde mental neste primeiro ano de treinamento – chamado residência ou estágio – pode depender da natureza do programa em que eles entram.

Segundo o relatório publicado na Writing in the journal Academic Medicine, por uma equipe da Universidade de Michigan e da Universidade Médica da Carolina do Sul, os médicos internos eram mais propensos a sofrer de depressão em certos programas em comparação com outros.

Os pesquisadores documentaram o efeito ao longo de vários anos de pesquisas anuais de 1.276 internos em 54 programas de todo o país, que participaram de um estudo maior conhecido como Intern Health Study, ou seja, Estudo de Saúde dos Estagiários.

Os programas de residência em medicina interna, cujos estagiários relataram horas de trabalho mais longas, um menor retorno do corpo docente e experiências de rotação de treinamento de pacientes internados menos valiosas apresentaram os maiores índices de sintomas de depressão entre seus alunos. O mesmo acontece com os programas que formam médicos que tendem a seguir para carreiras focadas em pesquisa, classificados por Doximity.

“Esses resultados sugerem que o ambiente do programa de residência desempenha um papel central na saúde mental dos médicos internos,” diz Pereira-Lima, que também é doutoranda na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo. “Esses dados podem sugerir mudanças para os programas de residência e consequentemente podem provocar a redução dos riscos de depressão nos médicos residentes.”

Disparidades na depressão

Os sintomas de depressão aumentaram nos anos de estágio, conforme medição em uma pesquisa padrão em que cada médico-estagiário participou antes do início da residência, mais quatro vezes durante o ano. Em média, a “pontuação de depressão” subiu de 2,3 para 5,9.

Isso era esperado. O estresse e as demandas do ano letivo foram anteriormente associados à depressão, em anos de trabalho liderados pelo médico e pesquisador Srijan Sen, autor sênior do novo estudo e líder do Intern Health Study. A depressão entre estudantes de medicina, residentes e médicos praticantes está diretamente associada ao esgotamento profissional, aos erros médicos, baixa qualidade de tratamentos cuidados, aos acidentes automobilísticos e aos pensamentos suicidas.

E este novo artigo vai à fundo para ver quais fatores os estagiários relataram sobre sua experiência em um programa específico, e esses fatores, agora publicamente disponíveis, são os que mais importam.

“Embora o maior foco na depressão dos residentes seja individualizada, ou seja, depende de cada residente, neste artigo mostramos que as instituições e os programas de residência desempenham um papel crítico,” diz Sen. “Alguns programas apresentam taxas de depressão consistentemente altas ano após ano, enquanto outros apresentam depressão consistentemente baixa. Também encontramos os quatro fatores que explicam grande parte da diferença entre os programas.”

Mapeando as diferenças

Pereira-Lima, Sen e seus colaboradores examinaram quais fatores previram os maiores aumentos nos escores de depressão, além do maior percentual de residentes cujas pontuações estavam acima de 10, o que significava que eles estavam com depressão. Pelo menos cinco residentes de cada programa participaram, totalizando 101 residentes.

Em média, um terço dos residentes preencheram os critérios de depressão maior – o mesmo índice mostrado em estudos anteriores. Mas alguns programas não tinham futuros médicos com depressão, enquanto em outros, três quartos dos pesquisados ​​preenchiam os critérios.

Mesmo quando os pesquisadores levantaram fatores individuais que poderiam aumentar a probabilidade dos residentes em terem depressão – como história de depressão pregressa, estresse infantil, tendência ao comportamento neurótico e gênero feminino – os quatro fatores do programa de residência ainda se destacavam fazendo a diferença na probabilidade de desenvolver sintomas depressivos durante o ano de estágio.

No total, os quatro fatores representaram quase metade da variação entre os programas de estágio na mudança nos sintomas de depressão experimentados por todos os participantes. A falta de pontualidade e adequação do feedback do corpo docente se destacou como os fatores mais importante, sugerindo que os esforços para melhorar as habilidades de ensino dos médicos-professores que supervisionam e orientam os internos podem afetar a saúde mental dos internos.

Próximos passos

Os pesquisadores observam que os resultados do estudo foram compartilhados com grupos interessados ​​no bem-estar dos médicos e residentes. O grupo está planejando mais pesquisas sobre os fatores dos programas de residência, de pesquisas, além do treinamento em medicina interna. Eles também continuam analisando amostras genéticas de milhares de participantes do estudo, para ver se podem detectar mudanças ao longo do tempo e relacioná-las a alterações nos sintomas de depressão.

Enquanto isso, mais de 2.050 residentes atuais estão matriculados no Intern Health Study para 2018-2019, usando rastreadores de atividade Fitbit e um aplicativo de smartphone para monitorar o sono, as horas de trabalho e os sintomas de depressão.

A equipe está começando a recrutar estudantes de graduação em medicina e aqueles que vão começar a residência este ano em mais de 80 locais nos EUA e na China, em diversos tipos de programas. Para mais informações, visite https://www.srijan-sen-lab.com/intern-health-study

Referência: Medicina Acadêmica, doi: 10.1097 / ACM.0000000000002567, https://journals.lww.com/academicmedicine/Abstract/publishahead/Residency_Program_Factors_Associated_with.97753.aspx