{"id":136225,"date":"2023-02-01T15:13:43","date_gmt":"2023-02-01T20:13:43","guid":{"rendered":"https:\/\/news.umich.edu\/?p=136225"},"modified":"2023-02-01T15:14:23","modified_gmt":"2023-02-01T20:14:23","slug":"cerebro-fossilizado-de-peixe-de-319-milhoes-de-anos-reestrutura-evolucao-dos-vertebrados-descobre-pesquisador-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/cerebro-fossilizado-de-peixe-de-319-milhoes-de-anos-reestrutura-evolucao-dos-vertebrados-descobre-pesquisador-brasileiro\/","title":{"rendered":"C\u00e9rebro fossilizado de peixe de 319 milh\u00f5es de anos reestrutura evolu\u00e7\u00e3o dos vertebrados, descobre pesquisador brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"683\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-1024x683.jpg\" alt=\"The fossilized skull of Coccocephalus wildi, an early ray-finned fish that swam in an estuary 319 million years ago. The fish is facing to the right, with the jaws visible in the lower right portion of the fossil. The eye socket is the circular, bumpy feature above the jaws. This fish would have been 6 to 8 inches long, about the size of a bluegill. Photo credit: Jeremy Marble, University of Michigan News.\" class=\"wp-image-136210\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-300x200.jpg 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-768x512.jpg 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-02-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">The fossilized skull of Coccocephalus wildi, an early ray-finned fish that swam in an estuary 319 million years ago. The fish is facing to the right, with the jaws visible in the lower right portion of the fossil. The eye socket is the circular, bumpy feature above the jaws. This fish would have been 6 to 8 inches long, about the size of a bluegill. Photo credit: Jeremy Marble, University of Michigan News.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n        <aside class=\"wp-block-michigan-news-callout alignright \">\n            \n\n<p>&#8220;<a href=\"https:\/\/www.nature.com\/articles\/s41586-022-05666-1\">Preserva\u00e7\u00e3o excepcional de f\u00f3sseis e evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro de peixe com nadadeiras raiadas<\/a>&#8220;, DOI 10.1038\/s41586-022-05666-1, estar\u00e1 dispon\u00edvel assim que o embargo for suspenso.<\/p>\n\n\n        <\/aside>\n        \n\n\n<p>O cr\u00e2nio tomogr\u00e1fico de um peixe fossilizado de 319 milh\u00f5es de anos, retirado de uma mina de carv\u00e3o na Inglaterra h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, revela o exemplo mais antigo de um c\u00e9rebro de um vertebrado bem preservado.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro e seus nervos cranianos t\u00eam cerca de 2,5 cm de comprimento e pertencem a um peixe extinto do tamanho de um lambari, como o lambari-gua\u00e7u. A descoberta abre uma janela para a anatomia neural e evolu\u00e7\u00e3o inicial do principal grupo de peixes vivos hoje, os peixes com nadadeiras raiadas, de acordo com um estudo liderado pela Universidade de Michigan, agendado para publica\u00e7\u00e3o em 1\u00ba de fevereiro na Nature.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"200\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-300x200.jpg\" alt=\"University of Michigan paleontologist Matt Friedman examines CT scan images of an exceptionally preserved, 319-million-year-old fossilized fish brain. Pulled from a coal mine in England more than a century ago, the fossil is the oldest example of a well-preserved vertebrate brain. Photo credit: Jeremy Marble, University of Michigan News.\" class=\"wp-image-136216\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-300x200.jpg 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-768x512.jpg 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Fish-Fossil_Michigan-News-12-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">University of Michigan paleontologist Matt Friedman examines CT scan images of an exceptionally preserved, 319-million-year-old fossilized fish brain. Pulled from a coal mine in England more than a century ago, the fossil is the oldest example of a well-preserved vertebrate brain. Photo credit: Jeremy Marble, University of Michigan News.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O principal autor do estudo \u00e9 o brasileiro Rodrigo Figueroa, aluno de doutorado da U-M, que faz o trabalho como parte de sua disserta\u00e7\u00e3o, sob a orienta\u00e7\u00e3o do paleont\u00f3logo Matt Friedman, do Departamento de Ci\u00eancias da Terra e do Meio Ambiente, da U-M.<\/p>\n\n\n\n<p>A descoberta fornece informa\u00e7\u00f5es sobre a preserva\u00e7\u00e3o de partes moles em f\u00f3sseis de animais com coluna vertebral. A maioria dos f\u00f3sseis de animais em cole\u00e7\u00f5es de museus foi formada a partir de partes duras do corpo, como ossos, dentes e conchas.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro tomografado e analisado para o novo estudo pertence ao Coccocephalus wildi, um peixe primitivo com nadadeiras raiadas que nadava em um estu\u00e1rio e que provavelmente se alimentava de pequenos crust\u00e1ceos, insetos aqu\u00e1ticos e cefal\u00f3podes (um grupo que hoje inclui lulas, polvos e s\u00e9pias.) Os peixes com nadadeiras raiadas t\u00eam espinha dorsal e barbatanas sustentadas por hastes \u00f3sseas chamadas raios.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" class=\"fluid\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/V1tNh7QWnSo?feature=oembed&#038;rel=0\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen title=\"300 Million year old fossil shows evolution of fish brain\"><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n\n\n\n<p>Quando o peixe morreu, os tecidos moles do seu c\u00e9rebro e os nervos cranianos foram substitu\u00eddos durante o processo de fossiliza\u00e7\u00e3o por um mineral denso que preservou, com detalhes, sua estrutura tridimensional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Uma conclus\u00e3o importante \u00e9 que essas partes moles podem ser preservadas, e preservadas em f\u00f3sseis que temos h\u00e1 muito tempo\u2014este \u00e9 um f\u00f3ssil conhecido h\u00e1 mais de 100 anos,&#8221; disse Friedman, autor s\u00eanior do novo estudo e diretor do Museu de Paleontologia.<\/p>\n\n\n\n<p>Para Figueroa, este f\u00f3ssil superficialmente inexpressivo e pequeno n\u00e3o mostra apenas o exemplo mais antigo de um c\u00e9rebro vertebrado fossilizado, mas tamb\u00e9m que as ideias sobre a evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro de esp\u00e9cies viventes precisar\u00e3o ser retrabalhadas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Com a ampla disponibilidade de t\u00e9cnicas de imagem modernas, eu n\u00e3o ficaria surpreso se descobrisse que c\u00e9rebros f\u00f3sseis e outras partes moles s\u00e3o muito mais comuns do que pens\u00e1vamos anteriormente,&#8221; disse Figueroa. &#8220;A partir de agora, nosso grupo de pesquisa e outros colaboradores v\u00e3o olhar para cr\u00e2nios de peixes f\u00f3sseis com uma perspectiva nova e diferente.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O f\u00f3ssil do cr\u00e2nio da Inglaterra \u00e9 o \u00fanico esp\u00e9cime conhecido de sua esp\u00e9cie, ent\u00e3o apenas t\u00e9cnicas n\u00e3o destrutivas poderiam ser usadas durante o estudo liderado pela U-M.<\/p>\n\n\n\n<p>O trabalho com o Coccocephalus faz parte de um esfor\u00e7o mais amplo de Figueroa, Friedman e outros colegas que usam a tomografia computadorizada (TC) para examinar o interior dos cr\u00e2nios dos primeiros peixes com nadadeiras raiadas. O objetivo do estudo \u00e9 obter detalhes da anatomia interna que forne\u00e7am informa\u00e7\u00f5es sobre suas rela\u00e7\u00f5es evolutivas.<\/p>\n\n\n\n<p>Figueroa e Friedman trabalham com tomografia computadorizada de cr\u00e2nios de f\u00f3sseis de peixes com nadadeiras raiadas, incluindo v\u00e1rios esp\u00e9cimes que Figueroa trouxe para Michigan por empr\u00e9stimo de institui\u00e7\u00f5es do Brasil, como o Centro Paleontol\u00f3gico da Universidade do Contestado (CENPALEO), em Mafra, Santa Catarina.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2023\/01\/supp_fig_1.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"300\" height=\"300\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-300x300.png\" alt=\"CT scan of the Coccocephalus wildi skull, showing the fossilized brain and associated structures. The brain and cranial nerves appear bright white in the center of the images. The fish is facing to the left. The eye sockets are the large, black oval areas surrounded by bone, and the jaws are below the eye sockets. Image credit: Figueroa et al. in Nature, February 2023.\" class=\"wp-image-136204\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-300x300.png 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-1024x1024.png 1024w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-100x100.png 100w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-768x769.png 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-1534x1536.png 1534w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/supp_fig_1-2045x2048.png 2045w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">CT scan of the Coccocephalus wildi skull, showing the fossilized brain and associated structures. The brain and cranial nerves appear bright white in the center of the images. The fish is facing to the left. The eye sockets are the large, black oval areas surrounded by bone, and the jaws are below the eye sockets. Image credit: Figueroa et al. in Nature, February 2023.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>No caso de C. wildi, Friedman n\u00e3o estava procurando por um c\u00e9rebro quando ligou seu scanner micro-CT e examinou o f\u00f3ssil do cr\u00e2nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Eu escaneei o f\u00f3ssil e notei que havia um objeto distinto e incomum dentro do cr\u00e2nio,&#8221; disse Friedman. A bolha n\u00e3o identificada era mais brilhante na imagem da TC\u2014e, portanto, provavelmente mais densa\u2014do que os ossos do cr\u00e2nio ou a rocha ao redor.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;\u00c9 comum ver crescimentos minerais amorfos em f\u00f3sseis, mas esse objeto tinha uma estrutura claramente definida,&#8221; disse Friedman.<\/p>\n\n\n\n<p>O objeto misterioso exibe v\u00e1rias caracter\u00edsticas encontradas em c\u00e9rebros de vertebrados: possui simetria bilateral, cont\u00e9m espa\u00e7os ocos com apar\u00eancia semelhante aos ventr\u00edculos. Tamb\u00e9m possui m\u00faltiplos filamentos que se estendem em dire\u00e7\u00e3o a aberturas na caixa craniana, semelhantes aos nervos cranianos, que viajam por esses canais em esp\u00e9cies viventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora o tecido cerebral preservado raramente tenha sido encontrado em f\u00f3sseis de vertebrados, os cientistas tiveram mais sucesso com os invertebrados. Por exemplo, o c\u00e9rebro intacto de um caranguejo-ferradura de 310 milh\u00f5es de anos foi relatado em 2021, e varreduras de insetos envoltos em \u00e2mbar revelaram c\u00e9rebros e outros \u00f3rg\u00e3os. Existem at\u00e9 evid\u00eancias de c\u00e9rebros e outras partes do sistema nervoso registradas em esp\u00e9cimes achatados com mais de 500 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>O c\u00e9rebro preservado de um parente de tubar\u00e3o de 300 milh\u00f5es de anos foi relatado em 2009. Mas tubar\u00f5es, raias e quimeras s\u00e3o peixes cartilaginosos, que hoje possuem relativamente poucas esp\u00e9cies em compara\u00e7\u00e3o com a linhagem de peixes com nadadeiras raiadas contendo Coccocephalus. Os primeiros peixes com nadadeiras raiadas, como o Coccocephalus, mostram aos cientistas, as fases evolutivas iniciais do grupo de peixes mais diversificado atualmente, que inclui desde trutas a atuns at\u00e9 cavalos-marinhos e linguados.<\/p>\n\n\n\n<p>Existem cerca de 30.000 esp\u00e9cies de peixes com nadadeiras raiadas que representam quase metade de todas as esp\u00e9cies de animais com espinha dorsal. A outra metade \u00e9 dividida entre vertebrados terrestres\u2013aves, mam\u00edferos, r\u00e9pteis e anf\u00edbios\u2013e grupos de peixes menos diversos, como peixes sem mand\u00edbula e peixes cartilaginosos.<\/p>\n\n\n\n<p>O f\u00f3ssil do cr\u00e2nio de Coccocephalus foi emprestado a Friedman pelo Manchester Museum, na Inglaterra. Foi recuperado do teto da mina de carv\u00e3o Mountain Fourfoot, em Lancashire, e foi descrito cientificamente pela primeira vez em 1925. O f\u00f3ssil foi encontrado em uma camada de pedra-sab\u00e3o adjacente a um veio de carv\u00e3o na mina.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora apenas seu cr\u00e2nio tenha sido recuperado, os cientistas acreditam que C. wildi teria de 6 a 8 polegadas de comprimento. A julgar pelo formato da mand\u00edbula e pelos dentes, provavelmente era um carn\u00edvoro, segundo Figueroa.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-medium\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"212\" height=\"300\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-212x300.jpg\" alt=\"Artist's interpretation of a remarkable 319-million-year-old fish that preserves the earliest fossilized brain of a backboned animal. CT images of the brain are helping to unravel the sequence of neural evolution in one of today\u2019s most diverse vertebrate lineages. The fish, Coccocephalus wildi, would have been 6 to 8 inches long and likely fed on small crustaceans and aquatic insects. Image credit: M\u00e1rcio L. Castro.\" class=\"wp-image-136222\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-212x300.jpg 212w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-724x1024.jpg 724w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-768x1086.jpg 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-1086x1536.jpg 1086w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-1448x2048.jpg 1448w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2023\/01\/Nature-2022-06-08790B-cover-proposal-scaled.jpg 1810w\" sizes=\"auto, (max-width: 212px) 100vw, 212px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Artist&#8217;s interpretation of a remarkable 319-million-year-old fish that preserves the earliest fossilized brain of a backboned animal. CT images of the brain are helping to unravel the sequence of neural evolution in one of today\u2019s most diverse vertebrate lineages. The fish, Coccocephalus wildi, would have been 6 to 8 inches long and likely fed on small crustaceans and aquatic insects. Image credit: M\u00e1rcio L. Castro.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Os cientistas suspeitam que quando o peixe morreu, ele foi rapidamente soterrado em sedimentos com pouco oxig\u00eanio presente. Esses ambientes podem retardar a decomposi\u00e7\u00e3o de partes moles do corpo.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, um microambiente qu\u00edmico dentro da caixa craniana pode ter ajudado a preservar os delicados tecidos cerebrais e substitu\u00ed-los por um mineral denso, possivelmente pirita, disse Figueroa.<\/p>\n\n\n\n<p>As evid\u00eancias que sustentam essa ideia v\u00eam dos nervos cranianos, que enviam sinais el\u00e9tricos entre o c\u00e9rebro e os \u00f3rg\u00e3os sensoriais. No f\u00f3ssil de Coccocephalus, os nervos cranianos est\u00e3o intactos dentro da caixa craniana, mas desaparecem quando saem do cr\u00e2nio.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Parece haver, dentro desse vazio bem fechado no cr\u00e2nio, um pequeno microambiente que \u00e9 prop\u00edcio para a substitui\u00e7\u00e3o dessas partes moles por algum tipo de fase mineral, capturando o formato dos tecidos que, de outra forma, simplesmente se decomporiam,&#8221; disse Friedman.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise detalhada do f\u00f3ssil, juntamente com compara\u00e7\u00f5es com os c\u00e9rebros de esp\u00e9cimes de peixes modernos da cole\u00e7\u00e3o do Museu de Zoologia da U-M, revelou que o c\u00e9rebro de Coccocephalus tem um corpo central do tamanho de uma uva-passa com tr\u00eas regi\u00f5es principais que correspondem aproximadamente ao c\u00e9rebro anterior, m\u00e9dio e posterior em peixes viventes.<\/p>\n\n\n\n<p>Os nervos cranianos projetam-se de ambos os lados do corpo central. Visto como uma \u00fanica unidade, o corpo central e os nervos cranianos se assemelham a um min\u00fasculo crust\u00e1ceo, como uma lagosta ou um caranguejo, com bra\u00e7os, pernas e garras salientes.<\/p>\n\n\n\n<p>Notavelmente, a estrutura do c\u00e9rebro do Coccocephalus indica um padr\u00e3o mais complicado de evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro dos peixes do que \u00e9 sugerido pelas esp\u00e9cies viventes sozinhas, de acordo com os autores.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas caracter\u00edsticas d\u00e3o ao f\u00f3ssil um valor real na compreens\u00e3o dos padr\u00f5es de evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro, ao inv\u00e9s de ser simplesmente uma curiosidade de preserva\u00e7\u00e3o inesperada,&#8221; disse Figueroa.<\/p>\n\n\n\n<p>Por exemplo, todos os peixes vivos com nadadeiras raiadas t\u00eam um c\u00e9rebro evertido, o que significa que os c\u00e9rebros dos peixes embrion\u00e1rios se desenvolvem dobrando os tecidos de dentro do embri\u00e3o para fora, como uma meia virada do avesso.<\/p>\n\n\n\n<p>Todos os outros vertebrados t\u00eam c\u00e9rebros evaginados, o que significa que o tecido neural em c\u00e9rebros em desenvolvimento se dobra para dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ao contr\u00e1rio de todos os peixes vivos com nadadeiras raiadas, o c\u00e9rebro do Coccocephalus se dobra para dentro,&#8221; disse Figueroa. &#8220;Portanto, este f\u00f3ssil captura um momento importante da evolu\u00e7\u00e3o do c\u00e9rebro destes peixes, antes do surgimento de muitas das caracter\u00edsticas encontradas em esp\u00e9cies viventes.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Compara\u00e7\u00f5es com peixes viventes mostraram que o c\u00e9rebro de Coccocephalus \u00e9 mais semelhante aos c\u00e9rebros de esturj\u00f5es e peixes esp\u00e1tula, que s\u00e3o frequentemente chamados de peixes &#8220;primitivos&#8221; porque divergiram de todos os outros peixes vivos com nadadeiras raiadas h\u00e1 mais de 300 milh\u00f5es de anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Figueroa e Friedman disseram que a descoberta destaca a import\u00e2ncia de preservar esp\u00e9cimes em museus de paleontologia e zoologia.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEsse f\u00f3ssil apresenta preserva\u00e7\u00e3o excepcional de tecidos moles, mas tais estruturas n\u00e3o haviam sido evidenciadas at\u00e9 hoje, mesmo esse f\u00f3ssil tendo sido estudado por diversos pesquisadores ao longo de mais de um s\u00e9culo,&#8221; disse Figueroa. &#8220;Isso demonstra a import\u00e2ncia da preserva\u00e7\u00e3o do patrim\u00f4nio natural, o que inclui f\u00f3sseis, em museus e cole\u00e7\u00f5es p\u00fablicas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No Brasil, existem centenas de cole\u00e7\u00f5es de f\u00f3sseis espalhadas por todo territ\u00f3rio nacional.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Ainda existe muito a ser descoberto nas gavetas de museus e institui\u00e7\u00f5es brasileiras,&#8221; ele disse. &#8220;\u00c9 por isso que manter os esp\u00e9cimes f\u00edsicos \u00e9 t\u00e3o importante. Porque quem sabe, em 100 anos, o que as pessoas poder\u00e3o fazer com os f\u00f3sseis em nossas cole\u00e7\u00f5es agora.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O cr\u00e2nio tomogr\u00e1fico de um peixe fossilizado de 319 milh\u00f5es de anos, retirado de uma mina de carv\u00e3o na Inglaterra h\u00e1 mais de um s\u00e9culo, revela o exemplo mais antigo de um c\u00e9rebro de um vertebrado bem preservado.<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":136210,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[25376,25385,24608],"tags":[],"beat":[25459],"class_list":["post-136225","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-environment-pt-br","category-science-technology-pt-br","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136225","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=136225"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136225\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":136457,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/136225\/revisions\/136457"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/136210"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=136225"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=136225"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=136225"},{"taxonomy":"beat","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/beat?post=136225"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}