{"id":200912,"date":"2025-03-12T12:00:00","date_gmt":"2025-03-12T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/news.umich.edu\/?p=200912"},"modified":"2025-03-12T12:31:48","modified_gmt":"2025-03-12T16:31:48","slug":"quer-preservar-a-biodiversidade-pense-grande-diz-pesquisador-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/quer-preservar-a-biodiversidade-pense-grande-diz-pesquisador-brasileiro\/","title":{"rendered":"Quer preservar a biodiversidade? Pense grande, diz pesquisador brasileiro"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"686\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1-1024x686.jpg\" alt=\"La legislaci\u00f3n brasile\u00f1a exige que los agricultores protejan ciertos porcentajes de sus tierras en diferentes regiones de Brasil, seg\u00fan el cient\u00edfico investigador de la Universidad de Michigan, Thiago Gon\u00e7alves-Souza. Se requiere que las granjas protejan el 80% de la tierra si est\u00e1n ubicadas en la Amazonia, el 35% si est\u00e1n en el cerrado brasile\u00f1o y el 20% en otros biomas, incluido el bosque atl\u00e1ntico. Esta plantaci\u00f3n de ca\u00f1a de az\u00facar se encuentra en Alagoas, que forma parte del bioma del bosque atl\u00e1ntico. Si bien esto ayuda, un estudio liderado por Gon\u00e7alves-Souza encuentra que grandes extensiones de bosque sin alteraciones son mejores para albergar biodiversidad. Foto cortes\u00eda de Adriano Gambarini\" class=\"wp-image-200871\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1-1024x686.jpg 1024w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1-768x514.jpg 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1-1536x1028.jpg 1536w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-1496D48-1.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">A legisla\u00e7\u00e3o brasileira exige que os agricultores protejam certas porcentagens de suas terras em diferentes regi\u00f5es do Brasil, de acordo com o cientista pesquisador da Universidade de Michigan Thiago Gon\u00e7alves-Souza. As fazendas s\u00e3o obrigadas a proteger 80% das terras se localizadas na Amaz\u00f4nia, 35% no cerrado brasileiro e 20% em outros biomas, incluindo a Mata Atl\u00e2ntica. Esta planta\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar est\u00e1 localizada em Alagoas, que faz parte do bioma da Mata Atl\u00e2ntica. Embora isso ajude, um estudo liderado por Gon\u00e7alves-Souza conclui que grandes extens\u00f5es de floresta intocada s\u00e3o melhores para abrigar a biodiversidade. Imagem cortesia: Adriano Gambarini<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>ANN ARBOR\u2014Florestas grandes e intocadas s\u00e3o melhores para abrigar a biodiversidade do que paisagens fragmentadas, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan.<\/p>\n\n\n\n<p>Ec\u00f3logos concordam que a perda de habitat e a fragmenta\u00e7\u00e3o das florestas reduzem a biodiversidade nos fragmentos remanescentes. No entanto, h\u00e1 um debate sobre se \u00e9 melhor focar na preserva\u00e7\u00e3o de muitas \u00e1reas pequenas e fragmentadas ou de grandes paisagens cont\u00ednuas. O estudo, publicado na revista Nature e liderado pelo ec\u00f3logo brasileiro da U-M <a href=\"https:\/\/seas.umich.edu\/research\/faculty\/thiago-goncalves-souza\">Thiago Gon\u00e7alves-Souza<\/a>, chega a uma conclus\u00e3o sobre esse debate que j\u00e1 dura d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-thumbnail\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-thiago-souza.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"100\" height=\"100\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2025\/03\/want-to-preserve-biodiversity-go-big-u-m-researchers-say-thiago-souza-100x100.jpg\" alt=\"Thiago Gon\u00e7alves-Souza \" class=\"wp-image-200861\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Thiago Gon\u00e7alves-Souza <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Fragmenta\u00e7\u00e3o \u00e9 prejudicial,&#8221; disse Gon\u00e7alves-Souza, pesquisador no Instituto de Biologia de Mudan\u00e7a Global da U-M. &#8220;Este artigo mostra claramente que a fragmenta\u00e7\u00e3o tem efeitos negativos sobre a biodiversidade em diferentes escalas. Isso n\u00e3o significa que n\u00e3o devamos tentar conservar pequenos fragmentos quando poss\u00edvel, mas precisamos tomar decis\u00f5es s\u00e1bias sobre conserva\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O estudo foi conduzido por pesquisadores da U-M, da Universidade Estadual de Michigan e mais dez universidades brasileiras, entre elas a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade Federal da Para\u00edba (UFPB) e Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Eles analisaram 4.006 esp\u00e9cies de vertebrados, invertebrados e plantas em 37 locais ao redor do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p>O objetivo foi fornecer uma s\u00edntese global comparando diferen\u00e7as de biodiversidade entre paisagens cont\u00ednuas e fragmentadas. Os pesquisadores descobriram que, em m\u00e9dia, as paisagens fragmentadas tinham 13,6% menos esp\u00e9cies na escala do ponto de coleta (chamada pelos autores de &#8220;escala da mancha&#8221;) e 12,1% menos esp\u00e9cies na regi\u00e3o (chamada de escala da paisagem).<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m disso, os resultados sugerem que esp\u00e9cies generalistas\u2014aquelas capazes de sobreviver em diversos ambientes\u2014s\u00e3o as que predominam nas \u00e1reas fragmentadas.<br>Os cientistas investigaram tr\u00eas tipos de diversidade nesses locais: alfa, beta e gama. A diversidade alfa se refere ao n\u00famero de esp\u00e9cies em um fragmento espec\u00edfico, enquanto a diversidade beta mede a diferen\u00e7a na composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies entre dois locais distintos. J\u00e1 a diversidade gama avalia a biodiversidade de toda a paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>Gon\u00e7alves-Souza usa um exemplo para ilustrar o conceito: ao dirigir por campos agr\u00edcolas no Norte do Esp\u00edrito Santo, pode-se notar pequenos fragmentos de floresta entre as planta\u00e7\u00f5es de cana ou pastos com cria\u00e7\u00e3o de gado. Cada fragmento pode abrigar algumas esp\u00e9cies de aves (diversidade alfa), mas a composi\u00e7\u00e3o dessas esp\u00e9cies pode variar de um fragmento para outro (diversidade beta). J\u00e1 a biodiversidade total da paisagem\u2014seja composta por fragmentos ou por uma floresta cont\u00ednua\u2014representa a diversidade gama da regi\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;O cerne do debate \u00e9 que algumas pessoas argumentam que a fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o ruim porque, ao criar habitats isolados, geramos composi\u00e7\u00f5es diferentes de esp\u00e9cies, o que pode aumentar a diversidade gama&#8221;, disse Gon\u00e7alves-Souza. &#8220;Por outro lado, argumenta-se que, em \u00e1reas cont\u00ednuas e homog\u00eaneas, a composi\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies \u00e9 muito semelhante.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>No entanto, pesquisas anteriores n\u00e3o compararam adequadamente paisagens fragmentadas e florestas cont\u00ednuas, afirmou Gon\u00e7alves-Souza. Por exemplo, alguns estudos analisaram apenas um componente da diversidade ou compararam um pequeno n\u00famero de florestas cont\u00ednuas com dezenas de fragmentos.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Nossa pesquisa mostrou que, ao utilizar dados padronizados e controlar a dist\u00e2ncia entre fragmentos, a fragmenta\u00e7\u00e3o do habitat tem efeitos negativos sobre a biodiversidade,&#8221; disse o coautour Mauricio Vancine, ec\u00f3logo e pesquisador de p\u00f3s-doutorado da UNICAMP. &#8220;Isso tem implica\u00e7\u00f5es te\u00f3ricas para a Ecologia e, mais importante, refor\u00e7a que a fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o pode ser vista como ben\u00e9fica para a conserva\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Para corrigir essa limita\u00e7\u00e3o, Gon\u00e7alves-Souza e seus colegas desenvolveram uma an\u00e1lise que levou em conta as diferen\u00e7as na amostragem entre diversas paisagens. Eles descobriram que a fragmenta\u00e7\u00e3o reduz o n\u00famero de esp\u00e9cies em todos os grupos taxon\u00f4micos e que o aumento da diversidade beta nas paisagens fragmentadas n\u00e3o compensa a perda de biodiversidade na escala da paisagem.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Este estudo resolve um debate de meio s\u00e9culo sobre como conservar a biodiversidade em \u00e1reas naturais, um debate iniciado por grandes cientistas como E.O. Wilson e Jared Diamond&#8221;, disse Nick Haddad, coautor do estudo e pesquisador da Universidade Estadual de Michigan.<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da biodiversidade, Gon\u00e7alves-Souza destaca que a fragmenta\u00e7\u00e3o das paisagens tamb\u00e9m compromete sua capacidade de armazenar carbono.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Pesquisadores est\u00e3o comparando essas duas situa\u00e7\u00f5es e descobrindo que estamos perdendo a capacidade das paisagens fragmentadas de armazenar carbono&#8221;, afirmou Gon\u00e7alves-Souza. &#8220;Ou seja, a fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o apenas reduz a biodiversidade, diminuindo a diversidade alfa e gama, mas tamb\u00e9m tem implica\u00e7\u00f5es para a presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ecossist\u00eamicos como o estoques de carbono.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>O pesquisador espera que o estudo ajude a comunidade conservacionista a superar o debate sobre paisagens cont\u00ednuas versus fragmentadas e focar na restaura\u00e7\u00e3o de florestas.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Acho que n\u00e3o \u00e9 \u00fatil pensar apenas em paisagens cont\u00ednuas ou fragmentadas. Precisamos proteger a biodiversidade, e esse debate n\u00e3o est\u00e1 ajudando na conserva\u00e7\u00e3o&#8221;, disse ele. &#8220;Em muitos pa\u00edses, restam poucas florestas grandes e intactas. Portanto, nosso foco deve estar no plantio de novas florestas e na restaura\u00e7\u00e3o de habitats cada vez mais degradados. A restaura\u00e7\u00e3o \u00e9 crucial para o futuro, mais do que debater se \u00e9 melhor ter uma grande floresta ou v\u00e1rios fragmentos menores.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>Estudo: <a href=\"http:\/\/doi.org\/10.1038\/s41586-025-08688-7\">A substitui\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies n\u00e3o resgata a biodiversidade em paisagens fragmentadas<\/a>. doi.org\/10.1038\/s41586-025-08688-7<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ANN ARBOR\u2014Florestas grandes e intocadas s\u00e3o melhores para abrigar a biodiversidade do que paisagens fragmentadas, de acordo com uma pesquisa da Universidade de Michigan.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":200876,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[25376,25387,25390],"tags":[],"beat":[25459],"class_list":["post-200912","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-environment-pt-br","category-international-pt-br","category-nao-categorizado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200912","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=200912"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200912\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":200917,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/200912\/revisions\/200917"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/200876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=200912"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=200912"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=200912"},{"taxonomy":"beat","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/beat?post=200912"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}