{"id":21273,"date":"2013-03-06T15:36:51","date_gmt":"2013-03-06T15:36:51","guid":{"rendered":"http:\/\/news.umich.edu\/2013\/03\/06\/as-caudas-dos-girinos-estressados-crescem-mais-para-escaparem-dos-predadores\/"},"modified":"2013-03-06T15:36:51","modified_gmt":"2013-03-06T15:36:51","slug":"as-caudas-dos-girinos-estressados-crescem-mais-para-escaparem-dos-predadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/as-caudas-dos-girinos-estressados-crescem-mais-para-escaparem-dos-predadores\/","title":{"rendered":"As caudas dos girinos estressados crescem mais para escaparem dos predadores"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wf_caption\" style=\"float: right; display: inline-block;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-full wp-image-27264\" style=\"margin: auto;\" alt=\"Um girino de r\u00e3 madeira com tamanho normal de cauda.\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305.jpg\" height=\"210\" width=\"300\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305.jpg 435w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" \/><span class=\"captionnicole\" style=\"clear: both; text-align: right; width: 300px; display: block;\">Um girino de r\u00e3 madeira com tamanho normal de cauda.<\/span><\/span>ANN ARBOR\u2014Quando as pessoas ou os animais s\u00e3o colocados em situa\u00e7\u00f5es de risco como em um combate ou em um ataque de um predador, horm\u00f4nios do stress s\u00e3o lan\u00e7ados para ajudar o organismo se preparar para a defesa ou para escapar rapidamente do perigo \u2014 a chamada luta ou fuga resposta.<\/p>\n<p>Pela primeira vez, os pesquisadores da Universidade de Michigan demonstraram que os horm\u00f4nios do stress tamb\u00e9m s\u00e3o respons\u00e1veis por alterar o formato do corpo dos animais em desenvolvimento, neste caso o girino, para que eles sejam melhor equipados para sobreviver a ataques de predadores.<\/p>\n<p>Atrav\u00e9s de uma s\u00e9rie de experimentos conduzidos em &#8216;campo&#8217; e em laborat\u00f3rios, os pesquisadores da U-M demonstraram que os girinos que foram expostos por mais tempo ao horm\u00f4nio do stress tiveram um aumento no tamanho de suas caudas, o que melhorou sua capacidade de evitar ataques letais de predadores.<\/p>\n<p>&#8220;Esta \u00e9 a primeira demonstra\u00e7\u00e3o clara que o horm\u00f4nio do stress produzido pelo animal pode, de fato, causar uma modifica\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica, uma modifica\u00e7\u00e3o no formato do corpo, que melhora sua chance de sobreviv\u00eancia na presen\u00e7a de predadores letais. \u00c9 uma resposta de sobreviv\u00eancia,&#8217; disse Robert Denver, professor de Biologia do Desenvolvimento Molecular e Celular e de Biologia Evolutiva.<\/p>\n<p>Os resultados surpreendentes dessa equipe est\u00e3o detalhados em um estudo agendado para publica\u00e7\u00e3o online dia 5 de mar\u00e7o, no jornal Procedimentos da Sociedade Real B (Proceedings of the Royal Society B). Principal autora do estudo, Jessica Middlemis Maher, ex-estudante de medicina da U-M, agora integrante da Universidade Estadual de Michigan, foi quem conduziu o trabalho para sua disserta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>H\u00e1 muito tempo, os cientistas t\u00eam consci\u00eancia que as modifica\u00e7\u00f5es ambientais podem incitar os animais e as plantas a alterarem sua morfologia e fisiologia, como tamb\u00e9m a regula\u00e7\u00e3o do tempo dos eventos de desenvolvimento. Por exemplo, os girinos podem acelerar a metamorfose e passarem a ser r\u00e3s em resposta \u00e0 seca de um lago, \u00e0 uma alta densidade de predadores ou \u00e0 falta de comida.<\/p>\n<p>O termo &#8216;plasticidade fenot\u00edpica&#8217; \u00e9 usado para descrever as modifica\u00e7\u00f5es de animais e plantas em resposta \u00e0 um ambiente que se modifica.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 mais de 70 anos, bi\u00f3logos que trabalham com desenvolvimento e ecologistas evolutivos t\u00eam muito interesse na &#8216;plasticidade fenot\u00edpica&#8217;, mas relativamente, houve uma pequena concentra\u00e7\u00e3o nos mecanismos pelos quais o sinal ambiental \u00e9 traduzido em uma resposta funcional,&#8221; disse Denver.<\/p>\n<p>&#8220;Sab\u00edamos, por exemplo, que os girinos podem modificar o formato do seu corpo em resposta ao risco de pedra\u00e7\u00e3o. Mas at\u00e9 agora, ningu\u00e9m sabia dos mecanismos fisiol\u00f3gicos b\u00e1sicos que medeiam aquela resposta. Esse novo estudo \u00e9 sobre isto.&#8221;<\/p>\n<p>O estudo involveu girinos de r\u00e3 madeira e o horm\u00f4nio do stress corticosterona, que \u00e9 semelhante ao horm\u00f4nio de stress humano cortisol. Os girinos foram reunidos nos tanques da Reserva Edwin S. George, da U-M, que ficam em Pinckney, Mich., noroeste de Ann Arbor.<\/p>\n<p>Alguns girinos foram criados nos tanques da reserva. As larvas de lib\u00e9lula, que s\u00e3o conhecidas como predadores dos girinos, foram colocadas em pequenas jaulas dentro dos tanques e alimentadas com girinos vivos. Quando atacados, os girinos lan\u00e7am sinais qu\u00edmicos chamados ferom\u00f4nios que viajam pela \u00e1gua para alertar outros girinos da presen\u00e7a de predadores. Os pesquisadores descobriram que os girinos expostos repetidamente ao alarme ferom\u00f4nio por v\u00e1rios dias mostraram n\u00edveis elevados de corticosterona no corpo inteiro.<\/p>\n<p>No laborat\u00f3rio, outros girinos foram expostos ao alarme ferom\u00f4nio, ao corticosterona ou a um produto qu\u00edmico que bloqueia a s\u00edntese do horm\u00f4nio do stress. Por v\u00e1rios dias, os girinos tratados ou com ferom\u00f4nio ou com o horm\u00f4nio do stress desenvolveram caudas mais profundas e troncos mais curtos do que os animais de controle, enquanto os girinos tratados com o ferim\u00f4nio e com o horm\u00f4nio inibidor tiveram as caudas mais rasas e os troncos mais longos do que os expostos apenas ao ferom\u00f4nio.<\/p>\n<p>&#8220;Uma descoberta importante foi comprovar que voc\u00ea pode eliminar o efeito do alarme ferom\u00f4nio no formato do corpo do girino bloqueando a produ\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio do stress,&#8221; disse Denver. &#8220;Se voc\u00ea bloquear a produ\u00e7\u00e3o de horm\u00f4nio do animal e ele inibir a modifica\u00e7\u00e3o no tamanho da cauda, ent\u00e3o isto \u00e9 um poderoso argumento que a produ\u00e7\u00e3o de corticosterona \u00e9 fisiologicamente importante para a modifica\u00e7\u00e3o morfol\u00f3gica.&#8221;<\/p>\n<p>Em um outro experimento, as caudas dos girinos foram colocadas em uma placa de Petri que cont\u00e9m corticosterona. Depois de v\u00e1rios dias, as caudas ficaram bem maiores, sugerindo que o horm\u00f4nio atue diretamente na cauda para faz\u00ea-la crescer.<\/p>\n<p>&#8220;A a\u00e7\u00e3o do horm\u00f4nio do stress no crescimento da cauda foi inesperada porque em vertebrados adultos, inclusive em seres humanos, a exposi\u00e7\u00e3o prolongada aos horm\u00f4nios do stress, tipicamente inibe o crescimento dos tecidos,&#8221; disse Denver. &#8220;Nos seres humanos, o stress cr\u00f4nico causa a perda da massa muscular.&#8221;<\/p>\n<p>Em outro grupo de experimentos, os girinos com caudas normais e os girinos com caudas maiores, produzidas pela exposi\u00e7\u00e3o ao corticosterona ou ao ferom\u00f4nio, foram colocados em tanques que continham larvas de lib\u00e9lula soltas, que podiam atacar os girinos. Os girinos com caudas grandes tiveram uma taxa de sobreviv\u00eancia maior que seus vizinhos com caudas menores.<\/p>\n<p>O terceiro autor do estudo &#8220;Procedimentos da Sociedade Real B&#8221; \u00e9 Earl Werner, diretor da Reserva Edwin S. George e professor do Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da U-M.<\/p>\n<p>Todos os experimentos foram conduzidos de acordo com as diretrizes do Comit\u00ea de Uso e Cuidado dos Animais da Universidade do Michigan. O estudo foi financiado pelo Departamento de Ecologia e Biologia Evolutiva da U-M e por v\u00e1rias bolsas da Funda\u00e7\u00e3o Nacional de Ci\u00eancia dos Estados Unidos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft size-full wp-image-27264\" style=\"float: left;\" alt=\"As caudas dos girinos estressados crescem mais para escaparem dos predadores\" src=\"http:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305.jpg\" height=\"305\" width=\"435\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305.jpg 435w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2013\/03\/stressed-out-tadpoles-grow-larger-tails-to-escape-predators-lead-20130305-300x210.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 435px) 100vw, 435px\" \/>Quando as pessoas ou os animais s\u00e3o colocados em situa\u00e7\u00f5es de risco como em um combate ou em um ataque de um predador, horm\u00f4nios do stress s\u00e3o lan\u00e7ados para ajudar o organismo se preparar para a defesa ou para escapar rapidamente do perigo \u2014 a chamada luta ou fuga resposta.<\/p>\n","protected":false},"author":26,"featured_media":27263,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[25367,24610,25370,24611,24612,25373,25378,25390,24,25385],"tags":[13414,662],"beat":[],"class_list":["post-21273","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arts-culture-pt-br","category-arts-culture","category-business-economy-pt-br","category-business-economy","category-education-society","category-education-society-pt-br","category-health-pt-br","category-nao-categorizado","category-portuguese-translations","category-science-technology-pt-br","tag-foram","tag-stress"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21273","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/26"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21273"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21273\/revisions"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/27263"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21273"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21273"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21273"},{"taxonomy":"beat","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/beat?post=21273"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}