{"id":216681,"date":"2026-01-22T11:00:00","date_gmt":"2026-01-22T16:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/news.umich.edu\/?p=216681"},"modified":"2026-01-22T12:46:14","modified_gmt":"2026-01-22T17:46:14","slug":"legado-persistente-brasileiros-da-geracao-da-ditadura-enfrentam-envelhecimento-precoce","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/legado-persistente-brasileiros-da-geracao-da-ditadura-enfrentam-envelhecimento-precoce\/","title":{"rendered":"Legado persistente: Brasileiros da &#8216;gera\u00e7\u00e3o da ditadura&#8217; enfrentam envelhecimento precoce"},"content":{"rendered":"\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"678\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-1024x678.jpg\" alt=\"Flag of Brazil with Favela Babilonia, Leme and Corcovado of Rio de Janeiro in the background. Image credit: Adobe Stock\" class=\"wp-image-216763\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-300x199.jpg 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-768x508.jpg 768w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging.jpg 1500w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/figure>\n\n\n\n        <aside class=\"wp-block-michigan-news-callout alignright \">\n            \n\n<p>Estudo: <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/psychsocgerontology\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/geronb\/gbag002\/8418525?redirectedFrom=fulltext\">Race\/Color Functional Limitation Disparities in a &#8220;Racial Democracy&#8221;: Findings Among Middle-Aged and Older Adults in Brazil<\/a> (DOI: 10.1093\/geronb\/gbag002)<\/p>\n\n\n        <\/aside>\n        \n\n\n<p>As disparidades de sa\u00fade entre brasileiros pretos e pardos e seus contempor\u00e2neos brancos s\u00e3o mais severas na meia-idade, n\u00e3o na velhice. Crescer durante o regime autorit\u00e1rio colocou esses grupos em uma desvantagem maior do que a das gera\u00e7\u00f5es mais velhas, criadas em governos mais democr\u00e1ticos.<\/p>\n\n\n\n<p>Um novo <a href=\"https:\/\/academic.oup.com\/psychsocgerontology\/advance-article-abstract\/doi\/10.1093\/geronb\/gbag002\/8418525?redirectedFrom=fulltext\">estudo<\/a> da Universidade de Michigan revela que, para muitos brasileiros pretos e pardos, as dificuldades de mobilidade, mem\u00f3ria, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o s\u00e3o piores aos 50 anos do que aos 80.<\/p>\n\n\n\n<p>Pesquisadores contestam a alega\u00e7\u00e3o de que o Brasil \u00e9 uma &#8220;democracia racial&#8221; ao constatarem que crescer sob o regime militar do pa\u00eds representa uma desvantagem not\u00e1vel para a sa\u00fade, especialmente para as comunidades pretas e pardas. Embora a ditadura tenha terminado h\u00e1 d\u00e9cadas, o estudo, publicado no Journal of Gerontology: Social Sciences, mostra que seu legado continua prejudicando a sa\u00fade dos brasileiros em processo de envelhecimento.<\/p>\n\n\n\n<p>Esta popula\u00e7\u00e3o, na faixa dos 50 anos, foi a primeira a viver o in\u00edcio da vida sob a ditadura militar brasileira (1964\u20131985). Durante essa era, pol\u00edticas sociais &#8220;dalt\u00f4nicas&#8221; (que ignoravam a ra\u00e7a) negligenciaram a profunda estratifica\u00e7\u00e3o racial, deixando comunidades marginalizadas com acesso escasso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o, \u00e0 nutri\u00e7\u00e3o e \u00e0 sa\u00fade\u2014elementos necess\u00e1rios para um envelhecimento saud\u00e1vel.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-thumbnail is-resized\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-01.Shane-Burns-a-postdoctoral-fellow-at-the-Population-Studies-Center-at-U-Ms-Institute-for-Social-Research.jpeg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"100\" height=\"100\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-01.Shane-Burns-a-postdoctoral-fellow-at-the-Population-Studies-Center-at-U-Ms-Institute-for-Social-Research-100x100.jpeg\" alt=\"Shane Burns\" class=\"wp-image-216671\" style=\"width:100px\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Shane Burns<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>&#8220;Essas descobertas remetem ao conceito dos &#8216;reflexos duradouros da inf\u00e2ncia&#8217;, que sustenta que as condi\u00e7\u00f5es do in\u00edcio da vida preparam o terreno para a sa\u00fade mais tarde, ao mostrar como brasileiros pretos e pardos que cresceram durante a ditadura militar t\u00eam agora um risco mais alto de sofrer limita\u00e7\u00f5es em sua autonomia,&#8221; disse o autor principal <a href=\"https:\/\/psc.isr.umich.edu\/profile\/burnsshane\/\">Shane Burns<\/a>, bolsista de p\u00f3s-doutorado no Centro de Estudos de Popula\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisa Social da U-M.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;A perspectiva do curso de vida enfatiza como os contextos sociais e ambientais moldam as trajet\u00f3rias de sa\u00fade ao longo do tempo. A hist\u00f3ria pol\u00edtica tumultuada e \u00fanica do Brasil, aliada \u00e0 popula\u00e7\u00e3o em r\u00e1pido envelhecimento, torna especialmente interessante estudar as implica\u00e7\u00f5es para a sa\u00fade p\u00fablica.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-thumbnail is-resized\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-02.Philippa-Janet-Clarke.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"100\" height=\"100\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/01\/lingering-legacy-brazils-dictatorship-gen-faces-premature-aging-02.Philippa-Janet-Clarke-100x100.jpg\" alt=\"Philippa Clarke\" class=\"wp-image-216678\" style=\"width:100px\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Philippa Clarke<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Burns e sua colega <a href=\"https:\/\/sph.umich.edu\/faculty-profiles\/clarke-philippa.html\">Philippa Clarke<\/a>, pesquisadora do ISR e professora de epidemiologia, analisaram dados de aproximadamente 9 mil brasileiros com 50 anos ou mais que participaram do ELSI-Brasil (Estudo Longitudinal da Sa\u00fade dos Idosos Brasileiros) em 2015-16. Eles analisaram as diferen\u00e7as raciais em dificuldades relatadas de mobilidade, mem\u00f3ria, vis\u00e3o e audi\u00e7\u00e3o em quatro faixas et\u00e1rias: 50-59, 60-69, 70-79 e 80 anos ou mais.<\/p>\n\n\n\n<p>A an\u00e1lise levou em conta fatores como demografia, hist\u00f3rico infantil, educa\u00e7\u00e3o, renda, problemas de sa\u00fade, rela\u00e7\u00f5es familiares e local de resid\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Os resultados foram um tanto surpreendentes, mas compreens\u00edveis, dada a hist\u00f3ria \u00fanica do Brasil,&#8221; disse Burns. &#8220;A gente antecipava que as disparidades raciais na sa\u00fade seriam piores nos grupos de idade mais avan\u00e7ada \u00e0 medida que a sociedade se torna mais igualit\u00e1ria, mas vemos aqui que o grupo de idade mais jovem apresenta as maiores disparidades raciais, e \u00e9 por causa desse contexto pol\u00edtico muito espec\u00edfico em que cresceram.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Riscos distintos, solu\u00e7\u00f5es personalizadas<\/h3>\n\n\n\n<p>O estudo inova ao distinguir os fatores de risco de limita\u00e7\u00e3o funcional entre as popula\u00e7\u00f5es pretas e pardas, revelando que suas desvantagens diferem, o que indica que os brasileiros pretos e pardos enfrentam obst\u00e1culos sist\u00eamicos \u00fanicos. Isso coloca em quest\u00e3o d\u00e9cadas de pol\u00edticas p\u00fablicas que, muitas vezes, agruparam todos os cidad\u00e3os n\u00e3o brancos em uma \u00fanica categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Os pesquisadores tamb\u00e9m identificaram diferen\u00e7as na mem\u00f3ria entre grupos raciais e faixas et\u00e1rias. Brasileiros pretos, pardos e ind\u00edgenas\u2014de 50 a 59 anos\u2014tinham maior probabilidade de relatar problemas de mem\u00f3ria epis\u00f3dica do que seus colegas brancos. Nas faixas et\u00e1rias de 60-69 e 70-79 anos, a mem\u00f3ria era pior entre os entrevistados pretos e pardos. Aos 80 anos ou mais, apenas os entrevistados pardos continuavam a apresentar dificuldades de mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;As condi\u00e7\u00f5es socioecon\u00f4micas prec\u00e1rias na inf\u00e2ncia explicam as disparidades que afetam os brasileiros pretos, enquanto a infraestrutura prec\u00e1ria em regi\u00f5es menos desenvolvidas relaciona-se \u00e0s disparidades enfrentadas pelos brasileiros pardos&#8221;, disse Burns. &#8220;As condi\u00e7\u00f5es de vida prec\u00e1rias para pessoas pretas e os fatores geogr\u00e1ficos\u2014como regi\u00e3o e resid\u00eancia urbana ou rural\u2014para pessoas pardas s\u00e3o os principais impulsionadores de sua sa\u00fade inferior em compara\u00e7\u00e3o com as pessoas brancas.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>&#8220;Melhorar as condi\u00e7\u00f5es na inf\u00e2ncia, especialmente ao enfrentar a pobreza, e aprimorar a infraestrutura em regi\u00f5es subatendidas poderiam ajudar a prevenir essas disparidades. Al\u00e9m disso, expandir o acesso \u00e0 sa\u00fade e aos cuidados de longa dura\u00e7\u00e3o para popula\u00e7\u00f5es em situa\u00e7\u00e3o de risco poderia proporcionar uma abordagem mais responsiva, especialmente para aqueles com maior risco de dem\u00eancia.&#8221;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As disparidades de sa\u00fade entre brasileiros pretos e pardos e seus contempor\u00e2neos brancos s\u00e3o mais severas na meia-idade, n\u00e3o na velhice. 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