{"id":220808,"date":"2026-04-22T10:55:00","date_gmt":"2026-04-22T14:55:00","guid":{"rendered":"https:\/\/news.umich.edu\/?p=220808"},"modified":"2026-04-22T11:03:07","modified_gmt":"2026-04-22T15:03:07","slug":"nada-de-ingles-como-bad-bunny-remodela-o-mainstream-pop-dos-eua","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/nada-de-ingles-como-bad-bunny-remodela-o-mainstream-pop-dos-eua\/","title":{"rendered":"Nada de ingl\u00eas: Como Bad Bunny remodela o mainstream pop dos EUA"},"content":{"rendered":"\n<h3 class=\"wp-block-heading\">J\u00e1 a cantora Anitta abra\u00e7a o poliglota: os diferentes caminhos para a domina\u00e7\u00e3o global ap\u00f3s sua estreia hist\u00f3rica no SNL em abril<\/h3>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/04\/no-english-needed-how-bad-bunny-reshaped-the-us-pop-mainstream.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"574\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/04\/no-english-needed-how-bad-bunny-reshaped-the-us-pop-mainstream-1024x574.jpg\" alt=\"Bad Bunny performs. 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Image credit: Comecoquito, CC0, via Wikimedia Commons<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><strong>Q&amp;A COM ESPECIALISTA BRASILEIRO<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Benito Antonio Mart\u00ednez Ocasio, conhecido mundialmente como Bad Bunny, n\u00e3o apenas subiu nas paradas; ele ignorou toda a engrenagem da ind\u00fastria.<\/p>\n\n\n\n<p>De empacotador de supermercado em Porto Rico a \u00edcone global, ele provou que n\u00e3o \u00e9 preciso cantar em ingl\u00eas para dominar o palco\u2014um feito consolidado por seu hist\u00f3rico de &#8216;\u00c1lbum do Ano&#8217; do Grammy em 2026, com &#8216;Deb\u00ed Tirar M\u00e1s Fotos&#8217;.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignright size-thumbnail is-resized\"><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2026\/03\/beyond-the-beats-breaking-hip-hops-manufactured-stereotypes-Gustavo-Souza-Marques.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"100\" height=\"100\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2026\/03\/beyond-the-beats-breaking-hip-hops-manufactured-stereotypes-Gustavo-Souza-Marques-100x100.jpg\" alt=\"Gustavo Souza Marques\" class=\"wp-image-218700\" style=\"width:100px\"\/><\/a><figcaption class=\"wp-element-caption\">Gustavo Souza Marques<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>O brasileiro <a href=\"https:\/\/smtd.umich.edu\/profiles\/gustavo-souza-marques\/\">Gustavo Souza Marques<\/a>, professor assistente de m\u00fasica na Universidade de Michigan, \u00e9 especialista em como a m\u00fasica e a tecnologia colidem nas Am\u00e9ricas.<br>Estudioso da evolu\u00e7\u00e3o do pop global, ele detalha como Bad Bunny se tornou o maior artista do planeta sem nunca trocar sua l\u00edngua materna por um hit de &#8220;crossover&#8221;.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Bad Bunny alcan\u00e7ou quatro \u00e1lbuns n\u00ba 1 na Billboard 200, todos em espanhol. Do ponto de vista da musicologia, como ele conseguiu ignorar o requisito tradicional de &#8220;crossover&#8221; (cantar em ingl\u00eas) que definiu artistas como Ricky Martin e Shakira?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Estudos em sociologia e demografia sugerem que, at\u00e9 a d\u00e9cada de 2050, os EUA podem se tornar um pa\u00eds de &#8220;maioria minorit\u00e1ria&#8221;, quando popula\u00e7\u00f5es historicamente associadas a menos poder pol\u00edtico, como os latinos, representar\u00e3o um dos maiores grupos em termos num\u00e9ricos. Essa mudan\u00e7a tem implica\u00e7\u00f5es importantes para a ind\u00fastria musical e para o consumo de m\u00fasica e de cultura de forma mais ampla.<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 testemunhamos esse impacto com Bad Bunny e outros artistas influentes do hip-hop latino, como o Cypress Hill, de Los Angeles, que lan\u00e7ar\u00e1 seu primeiro \u00e1lbum original em espanhol em maio.<\/p>\n\n\n\n<p>A decis\u00e3o de Bad Bunny de levar Ricky Martin ao seu show no Super Bowl sinaliza essa mudan\u00e7a e abre um di\u00e1logo entre o que significava ser um artista latino no passado e o que significa hoje. Tamb\u00e9m \u00e9 importante reconhecer que o espanhol \u00e9 a segunda l\u00edngua mais falada nos EUA h\u00e1 d\u00e9cadas e que Porto Rico \u00e9 territ\u00f3rio dos EUA. Nesse contexto, cantar em espanhol em eventos p\u00fablicos deve ser compreendido como parte de um cen\u00e1rio cultural e hist\u00f3rico latino-americano mais amplo.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Seu trabalho mais recente se inclina para os g\u00eaneros musicais bomba e plena. Por que esses ritmos hiperlocais porto-riquenhos est\u00e3o sendo t\u00e3o bem traduzidos para p\u00fablicos que podem n\u00e3o conhecer a hist\u00f3ria por tr\u00e1s deles?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Nos estudos culturais, o termo &#8220;glocal&#8221; \u00e9 usado para descrever esse processo. M\u00e1ximas como &#8220;pense local, aja global&#8221; encapsulam uma mentalidade que se tornou mais comum com a ocidentaliza\u00e7\u00e3o e\/ou a globaliza\u00e7\u00e3o do mundo, particularmente durante e ap\u00f3s o boom econ\u00f4mico do p\u00f3s-guerra e os avan\u00e7os nas tecnologias de comunica\u00e7\u00e3o e transporte.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao incorporar elementos musicais &#8220;hiperlocais&#8221;, Bad Bunny recentraliza o que significa ser porto-riquenho, colocando sua bagagem cultural na vanguarda da cena musical internacional. Essa reflex\u00e3o pode ser estendida \u00e0 centralidade do espanhol porto-riquenho em seu trabalho musical e identidade latino-americana.<\/p>\n\n\n\n<p>Finalmente, precisamos considerar conceitos do hip-hop como &#8220;flipping the script&#8221; (virar o jogo), que ressoam com a persona e o trabalho musical de Bad Bunny.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Como os porto-riquenhos s\u00e3o cidad\u00e3os dos EUA, o sucesso dele \u00e9, tecnicamente, dom\u00e9stico. No entanto, ele \u00e9 frequentemente tratado como um artista &#8220;estrangeiro&#8221;. Como a vit\u00f3ria dele no Grammy desafia a forma como definimos a &#8220;m\u00fasica americana&#8221; hoje?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Temos visto discuss\u00f5es interessantes sobre o Grammy. O artista de hip-hop contempor\u00e2neo Tyler, The Creator expressou que se sentia &#8220;dividido&#8221; ao receber um Grammy em 2020 por Melhor \u00c1lbum de Rap com IGOR (2019), j\u00e1 que sua inten\u00e7\u00e3o era que fosse um \u00e1lbum pop. Sua declara\u00e7\u00e3o levantou preocupa\u00e7\u00f5es sobre a forma como a m\u00fasica negra \u00e9 categorizada e julgada nas premia\u00e7\u00f5es. Ele at\u00e9 fez uma compara\u00e7\u00e3o provocativa com a &#8220;n-word,&#8221; para destacar como o r\u00f3tulo &#8220;urban&#8221; pode funcionar como uma classifica\u00e7\u00e3o problem\u00e1tica.<\/p>\n\n\n\n<p>Atualmente, estamos testemunhando uma rearticula\u00e7\u00e3o do que constitui a m\u00fasica americana, com uma forte presen\u00e7a do <em>reggaeton<\/em> nas paradas, nas boates e nos gostos musicais da juventude norte-americana. Essa mudan\u00e7a n\u00e3o \u00e9 inesperada, considerando o consumo digital de m\u00fasica hoje, o que permite f\u00e1cil acesso a express\u00f5es sonoras de todo o mundo, n\u00e3o apenas nos EUA.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Considerando a estreia de Anitta no SNL este m\u00eas, como a estrat\u00e9gia dela de cantar em espanhol e portugu\u00eas se compara \u00e0 resist\u00eancia de Bad Bunny em cantar apenas em sua l\u00edngua materna?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>A Anitta tamb\u00e9m tem uma carreira global muito interessante, com ra\u00edzes na cena do baile funk do Rio de Janeiro dos anos 2000. Assim como o Bad Bunny, ela come\u00e7ou a ganhar visibilidade por meio de produ\u00e7\u00f5es independentes na internet, o que, com o tempo, a levou a atrair a aten\u00e7\u00e3o de produtores locais influentes\u2014especialmente da ic\u00f4nica Furac\u00e3o 2000. Rapidamente, tornou-se um fen\u00f4meno nacional devido ao seu talento art\u00edstico, tino comercial e carisma. Sua imagem enquanto mulher latina e  mesti\u00e7a tamb\u00e9m desempenha um papel importante, como \u00e9 recorrente nas din\u00e2micas de g\u00eanero e raciais que estruturam a ind\u00fastria pop em diferentes eras, e que tamb\u00e9m ecoam quest\u00f5es estruturais mais profundas de nossa sociedade global. Aos poucos, ela foi capaz de tamb\u00e9m galgar seu espa\u00e7o na cena internacional, inclusive por meio de colabora\u00e7\u00f5es com rappers como Snoop Dogg e latinas de grande proje\u00e7\u00e3o como Shakira, que, enquanto colombiana, j\u00e1 trouxe visibilidade a cantoras sul-americanas antes da Anitta.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas h\u00e1 algumas quest\u00f5es importantes a considerar ao comparar\u2014ou tra\u00e7ar paralelos entre\u2014as carreiras de Anitta e de Bad Bunny.<\/p>\n\n\n\n<p>Embora tenham idades pr\u00f3ximas, o Bad Bunny \u00e9 um fen\u00f4meno da internet mais recente. Seu crescimento art\u00edstico e comercial ocorreu em um momento distinto, j\u00e1 marcado pela centralidade do streaming e das plataformas digitais. Sua ascens\u00e3o se deu principalmente por meio da circula\u00e7\u00e3o online de suas m\u00fasicas e do engajamento direto com o p\u00fablico, em di\u00e1logo com estruturas j\u00e1 consolidadas do pop, hip hop e reggaeton em Porto Rico e na ind\u00fastria global, o que posteriormente o conectou a selos e gravadoras internacionais ao ser descoberto enquanto fen\u00f4meno digital. O fato de ser falante nativo de espanhol tamb\u00e9m o diferencia.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao incorporar o espanhol e o ingl\u00eas em sua produ\u00e7\u00e3o musical, Anitta n\u00e3o apenas amplia seu alcance, mas tamb\u00e9m responde ao crescimento demogr\u00e1fico e cultural latino, especialmente nos Estados Unidos. A m\u00fasica brasileira faz parte disso e n\u00e3o \u00e9 a primeira vez na hist\u00f3ria que o Norte Global se interessa por nossos artistas, tanto pelas dan\u00e7as latinas nos EUA no in\u00edcio do s\u00e9culo XX, quanto pelo sucesso da bossa nova. <\/p>\n\n\n\n<p>Ao mesmo tempo, h\u00e1 diferen\u00e7as importantes na forma como cada artista se posiciona publicamente. O Bad Bunny mobiliza uma linguagem mais explicitamente pol\u00edtica, se envolvendo em protestos e causas sociais. A Anitta tem se aproximado de pautas relevantes, ainda que de maneira menos confrontacional e mais alinhada ao universo pop.<\/p>\n\n\n\n<p>Nesse sentido, sua posi\u00e7\u00e3o como mulher, de origem perif\u00e9rica e inserida em uma ind\u00fastria marcada por din\u00e2micas de g\u00eanero, tamb\u00e9m influencia as estrat\u00e9gias que adota, exigindo uma abordagem que caminhe entre acessibilidade, visibilidade e afirma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Nada disso, no entanto, diminui o quanto ela avan\u00e7ou nem o que isso representa em um contexto global. Assim como \u00e9 interessante acompanhar a ascens\u00e3o de um artista como Bad Bunny, \u00e9 igualmente impressionante tudo o que a Anitta construiu at\u00e9 aqui.<br><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Benito Antonio Mart\u00ednez Ocasio, conhecido mundialmente como Bad Bunny, n\u00e3o apenas subiu nas paradas; ele ignorou toda a engrenagem da ind\u00fastria.<\/p>\n","protected":false},"author":53,"featured_media":220297,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[25367,25373,25390],"tags":[],"beat":[25459],"class_list":["post-220808","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-arts-culture-pt-br","category-education-society-pt-br","category-nao-categorizado"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220808","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/users\/53"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=220808"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220808\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":220812,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/220808\/revisions\/220812"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media\/220297"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=220808"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=220808"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=220808"},{"taxonomy":"beat","embeddable":true,"href":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/wp-json\/wp\/v2\/beat?post=220808"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}