{"id":65623,"date":"2020-10-07T09:46:47","date_gmt":"2020-10-07T13:46:47","guid":{"rendered":"https:\/\/news.umich.edu\/?p=65623"},"modified":"2020-10-08T11:41:32","modified_gmt":"2020-10-08T15:41:32","slug":"molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/news.umich.edu\/pt-br\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv\/","title":{"rendered":"Mol\u00e9cula antibi\u00f3tica permite que o sistema imunol\u00f3gico mate as c\u00e9lulas infectadas pelo HIV"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv-HIV_attacking_cells_in_purple_pink_red.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-65624\" src=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv-HIV_attacking_cells_in_purple_pink_red.jpg\" alt=\"Image credit: Michael Mashiba M.D., Ph.D., and Stephanie King\" width=\"850\" height=\"478\" srcset=\"https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/mc-image-cache\/2020\/10\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv-HIV_attacking_cells_in_purple_pink_red.jpg 850w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv-HIV_attacking_cells_in_purple_pink_red-300x169.jpg 300w, https:\/\/news.umich.edu\/wp-content\/uploads\/2020\/10\/molecula-antibiotica-permite-que-o-sistema-imunologico-mate-as-celulas-infectadas-pelo-hiv-HIV_attacking_cells_in_purple_pink_red-768x432.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 850px) 100vw, 850px\" \/><\/a>Desde que os primeiros casos da doen\u00e7a misteriosa que apareceu no in\u00edcio dos anos 1980 e culminaram na pandemia do HIV\/AIDS, pesquisadores t\u00eam procurado maneiras de superar o v\u00edrus mortal. Agora, devido a terapias anti-retrovirais, as pessoas com HIV podem ter uma expectativa de vida relativamente normal\u2014contanto que tomem seus medicamentos todos os dias.<!--more--><\/p>\n<p>\u201cSe eles pararem o tratamento, em pouco tempo, o v\u00edrus se recupera e se redefine em altos n\u00edveis como os vistos antes de come\u00e7ar as medica\u00e7\u00f5es\u2014e esse parece ser o caso mesmo ap\u00f3s d\u00e9cadas de terapia\u201d, diz Mark Painter, estudante de doutorado do Departamento de Microbiologia e Imunologia da Escola de Medicina da Universidade de Michigan.<\/p>\n<p>A raz\u00e3o \u00e9 que o HIV pode se esconder dentro do genoma humano, adormecido e pronto para emergir a qualquer momento. Por causa disso, uma verdadeira cura para o HIV depende de despertar o v\u00edrus latente e elimin\u00e1-lo antes que ele tenha a chance de se apossar novamente das c\u00e9lulas do corpo, uma abordagem conhecida como choque e morte.<\/p>\n<p>Sob dire\u00e7\u00e3o da professora de medicina interna, microbiologia e imunologia, Kathleen Collins, o time trabalha para encontrar uma arma para matar o HIV, visando uma prote\u00edna chamada Nef. Em 1998, Collins descobriu que o HIV usa a Nef para escapar do sistema imunol\u00f3gico do corpo, substituindo o funcionamento de uma prote\u00edna na superf\u00edcie da c\u00e9lula que permite que as c\u00e9lulas imunol\u00f3gicas saibam que determinada c\u00e9lula est\u00e1 infectada e da necessidade de elimina\u00e7\u00e3o dela. Ao desativar essa prote\u00edna, chamada MHC-I, as c\u00e9lulas infectadas s\u00e3o capazes de se proliferar.<\/p>\n<p>A pesquisa tentou determinar se j\u00e1 havia uma droga ou mol\u00e9cula no mercado aprovada pelo FDA que pudesse substituir a Nef, restaurar o funcionamento do MHC-I e permitir que o pr\u00f3prio sistema imunol\u00f3gico do corpo, especificamente as c\u00e9lulas conhecidas como linf\u00f3citos T citot\u00f3xicos, reconhecessem as c\u00e9lulas infectadas pelo HIV e as destru\u00edssem.<\/p>\n<p>\u201cCome\u00e7amos rastreando uma biblioteca de 200.000 pequenas mol\u00e9culas e n\u00e3o encontramos nenhuma inibindo a Nef,\u201d \u200b\u200bdiz Painter.<\/p>\n<p>O grupo ent\u00e3o entrou em contato com o professor de pesquisa do U-M Life Sciences Institute, David Sherman, cujo laborat\u00f3rio estuda a bioss\u00edntese de produtos naturais de micr\u00f3bios, como as cianobact\u00e9rias.<\/p>\n<p>\u201cMuitas vezes, as mol\u00e9culas sint\u00e9ticas t\u00eam um peso molecular bastante baixo, o que significa que s\u00e3o bastante pequenas. E se voc\u00ea precisar interromper uma grande superf\u00edcie ou interface de prote\u00edna, como com a Nef, uma mol\u00e9cula pequena n\u00e3o ter\u00e1 um bom resultado ou n\u00e3o funcionar\u00e1,\u201d explica Sherman. \u201cUma biblioteca de produtos naturais como a do LSI, por outro lado, ter\u00e1 mol\u00e9culas com uma grande variedade de pesos e tamanhos.\u201d<\/p>\n<p>Depois de examinar cerca de 30.000 mol\u00e9culas, eles descobriram que uma classe de mol\u00e9culas de antibi\u00f3ticos chamada pleicomacrolides inibia a Nef.<\/p>\n<p>\u201cOs pleicomacrolides s\u00e3o amplamente usados \u200b\u200bem experimentos de laborat\u00f3rio quando voc\u00ea deseja desligar o lisossoma. Por isso, s\u00e3o considerados t\u00f3xicos e arriscados de se usar como rem\u00e9dios,\u201d disse Painter.<\/p>\n<p>O lisossoma \u00e9 uma organela celular essencial usada para quebrar partes de c\u00e9lulas desgastadas, v\u00edrus e bact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Contudo, a equipe determinou que um pleicomacrolide chamado concanamicina A inibe a Nef em concentra\u00e7\u00f5es muito mais baixas do que as necess\u00e1rias para inibir o lisossoma.<\/p>\n<p>\u201cComo principal composto para o desenvolvimento de medicamentos, \u00e9 bastante emocionante porque podemos usar uma dose muito baixa e inibir a Nef sem toxicidade de curto prazo para as c\u00e9lulas,\u201d disse Painter.<\/p>\n<p>Em um experimento de prova de conceito, eles trataram c\u00e9lulas infectadas com HIV expressando a Nef com concanamicina A e descobriram que c\u00e9lulas T citot\u00f3xicas eram capazes de limpar as c\u00e9lulas T infectadas.<\/p>\n<p>\u201cTem sido extremamente gratificante ver este projeto, que come\u00e7ou em meu laborat\u00f3rio h\u00e1 mais de uma d\u00e9cada, finalmente dar frutos. Eu esperava que encontr\u00e1ssemos algo que funcionasse t\u00e3o bem quanto este composto, mas isso nunca foi uma garantia de que realmente ter\u00edamos sucesso. Esse tipo de pesquisa \u00e9 arriscado, mas extremamente importante por causa da recompensa potencial,\u201d diz Collins.<\/p>\n<p>Mas ela acrescenta que a mol\u00e9cula ainda n\u00e3o est\u00e1 pronta para ser usada como medicamento no tratamento de pessoas infectadas pelo HIV.<\/p>\n<p>\u201cMais pesquisas ser\u00e3o necess\u00e1rias para otimizar o composto. Teremos de separar ainda mais a potente atividade inibit\u00f3ria do Nef do efeito mais t\u00f3xico na fun\u00e7\u00e3o lisossomal para torn\u00e1-la uma terapia vi\u00e1vel,\u201d diz.<\/p>\n<p>Artigo (nome em ingl\u00eas): &#8220;Concanamycin A counteracts HIV-1 Nef to enhance immune clearance of infected primary cells by cytotoxic T lymphocytes,&#8221; PNAS.<br \/>\nDOI: 10.1073\/pnas.2008615117<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desde que os primeiros casos da doen\u00e7a misteriosa que apareceu no in\u00edcio dos anos 1980 e culminaram na pandemia do HIV\/AIDS, pesquisadores t\u00eam procurado maneiras de superar o v\u00edrus mortal. 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