Jovens adultos trans correm risco de ficar sem teto; racismo ao migrar em busca de afirmação de gênero, segurança

setembro 14, 2020
Contact: Fernanda Pires fpires@umich.edu

A rainbow frame with portraits of young people, wearing sweaters with their gender pronouns - she, he, them. Image credit: iStock

Nos Estados Unidos, jovens transgêneros costumam se mudar para cidades como São Francisco, Califórnia, onde se sentem mais seguros e têm acesso a cuidados de saúde adequados. Esta migração, no entanto, pode colocá-los em risco de ficar sem teto, sem emprego e serem vítimas de racismo, dizem pesquisadores da Universidade de Michigan.

“Nossas descobertas ressaltam a importância de ir além dos fatores de risco de nível individual para entender como as necessidades de afirmação de gênero não atendidas podem colocar adultos jovens trans em posições estruturalmente vulneráveis, ​​que podem afetar a saúde e o bem-estar deles,” disse a primeira autora do estudo, Kristi Gamarel, professora assistente de saúde comportamental e educacional na Escola de Saúde Pública da U-M.

“A grande conclusão é que os transgêneros são incrivelmente resilientes e encontram maneiras criativas de navegar em estruturas e sistemas opressores. No entanto, precisamos garantir que todos os transgêneros tenham suas necessidades de afirmação e segurança de gênero atendidas em todas as localizações geográficas. Este estudo demonstrou que os transgêneros que são jovens adultos, muitas vezes, sentem que devem se mudar para cidades mais caras para que as necessidades básicas de afirmação de gênero e segurança sejam satisfeitas e isso acarreta custos significativos.”

O estudo é parte de um projeto maior na área da Baía de São Francisco, onde pesquisadores estão tentando entender o uso de hormônios não prescritos, o uso de substâncias e as experiências de saúde de jovens transgêneros.

Os pesquisadores realizaram entrevistas qualitativas com 61 adultos trans e não binários de 18 a 29 anos entre abril e dezembro de 2017. Dos participantes, 87% nasceram nos Estados Unidos, 26% se identificaram como negros ou afro-americanos, 39% como asiáticos ou das ilhas do Pacífico, 2 % como nativos americanos, 16% como brancos não hispânicos, 10% como latinos/o/x, 5% como multirraciais e 2% como árabes americanos.

Apesar da maioria dos participantes tenha obtido o ensino médio ou equivalente ou concluído o curso profissionalizante/comercial, cerca da metade da amostra ganha menos de US$ 10.000 por ano.

E embora a área tenha raízes históricas em ideais progressistas de tolerância e segurança para comunidades LGBTQ, os pesquisadores rapidamente perceberam que essa inclusão não se aplicava a raças e linhagens étnicas.

“Muitos participantes compartilharam suas experiências de racismo em espaços trans predominantemente brancos na área da baía,” disse Gamarel, acrescentando que uma das descobertas surpreendentes das entrevistas foi que nem todo mundo queria migrar. “Não é como viver em São Francisco, viver em São Francisco é um sonho. Os participantes descreveram como, muitas vezes, não sentiam que tinham escolha.

“As pessoas estão dispostas a pagar esse preço porque não haviam outras opções para poder ter assistência médica afirmativa e morar onde não precisassem se preocupar em andar na rua e serem assediadas ou com medo de serem assassinadas por ser quem eles são.”

Gamarel disse que o estudo destaca a necessidade de aplicar políticas de não discriminação e de planos de saúde por todo país para que as pessoas não sejam forçadas a se mudar para lugares onde não podem pagar para viver.

Resumo do estudo: A “Tax” on Gender Affirmation and Safety: Costs and Benefits of Intranational Migration for Transgender Young Adults in the San Francisco Bay Area

Kristi Gamarel