O impacto do exercício e do sono na depressão varia de acordo com o gênero

maio 2, 2019
Contact: Fernanda Pires fpires@umich.edu

ANN ARBOR—Para algumas pessoas, fazer exercícios e dormir com qualidade pode aliviar os sintomas depressivos quase tão eficazmente quanto os antidepressivos, mostram pesquisas.

Mas um novo estudo da Universidade de Michigan sugere que o exercício e o sono afetam a depressão de maneira diferente em homens e mulheres.

A investigadora principal, Weiyun Chen, professora associada de Cinesiologia, e a primeira autora, Ana Cahuas, analisaram os padrões do exercício e sono em mais de 1.100 estudantes universitários da Universidade de Pequim. Os participantes completaram três questionários avaliando sintomas depressivos, hábitos de atividade física e padrões de sono.

Para os homens, a atividade física vigorosa e moderada ajudou a proteger contra a depressão, disse Chen. No entanto, para as mulheres, nenhum nível de atividade física afetou significativamente a depressão. Embora haja uma escassez de pesquisas focadas nas mulheres, isso contradiz as conclusões gerais de que a atividade física regular ajuda a reduzir a depressão.

Essa descoberta pode ter ocorrido porque poucas mulheres—quando comparadas aos homens—se exercitaram em alta intensidade, disse Chen. Como resultado, qualquer efeito protetor do exercício de alta intensidade não foi detectado em mulheres quando os pesquisadores analisaram os dados por sexo.

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Os pesquisadores também examinaram sete variáveis ​​do sono e descobriram que ele estava significativamente associado aos níveis de depressão em ambos os sexos. Em média, os estudantes relataram ter sono de qualidade, mas 16% dos homens e 22% das mulheres relataram má qualidade do sono.

No geral, os alunos do estudo não relataram sentimentos de depressão, o que surpreendeu Chen, já que a Universidade de Pequim é um ambiente de panela de pressão, semelhante às escolas da Ivy League, nos EUA (lista prestigiosa e que seleciona universidades de altíssimo nível acadêmico e padrões bem definidos). No entanto, mais mulheres (43%) do que homens (37%) relataram depressão .

“Isso é consistente com as pesquisa existentes de que taxas mais altas de depressão são encontradas entre as mulheres, de aproximadamente 2:1, embora as taxas de suicídio sejam 3 a 5 vezes maiores entre os homens,” disse Chen.

A conexão entre sono, exercícios e humor também pode ajudar a explicar a maior taxa de depressão das mulheres, disse Chen.

Os homens do estudo se exercitaram mais e com maior intensidade que as mulheres, cujos níveis mais altos de depressão podem ter diminuído a probabilidade de se exercitar e ter impacto negativo na qualidade do sono.

Depressão e transtornos do humor são um problema grave entre os adolescentes, com até 20% deles diagnosticados com transtornos mentais, emocionais ou comportamentais, disse Cahuas, que era estudante do Programa de Oportunidades de Pesquisa de Graduação da U-M, quando escreveu o artigo sob orientação de Chen.

Aproximadamente 1 em cada 7 estudantes universitários é diagnosticado com depressão—com o suicídio sendo a segunda principal causa de morte entre eles. Estudantes universitários correm um risco especial de depressão devido a cargas de trabalho pesadas, estresse e privação de sono.

A depressão mais séria envolve sintomas que persistem por pelo menos duas semanas e podem ocorrer várias vezes ao longo da vida. Transtorno depressivo persistente, ou distimia, é a depressão que dura pelo menos dois anos, e oscila em gravidade. Estudos mostram que apenas cerca da metade das pessoas com depressão recebem tratamento.

Os participantes foram recrutados de uma universidade na China, portanto, os resultados não podem ser generalizados para todos os estudantes universitários.

O estudo está publicado online no Journal of American College Health.

Estudo: Relationship of physical activity and sleep with depression in college students