Três Borges Wolverines, um hino de luta

outubro 24, 2025
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Tradição, esforço e “The Victors”: O legado dos Borges em Michigan

Uma linda família de formados pela Universidade de Michigan, os Borges, radicados em São Paulo, Brasil. Pai, filho e filha são atletas de sucesso.

Alguns legados vão além do talento; atravessam gerações, continentes e corações.

Na família Borges, o amor pela Universidade de Michigan se une a foco, disciplina e espírito esportivo—uma herança que começa com o nadador brasileiro e medalhista olímpico por quatro vezes, Gustavo Borges, e continua com seu filho, Luiz Gustavo, e sua filha, Gabriella, também ex-atletas da U-M.

“Eu cresci em São Paulo sabendo o hino de Michigan antes do nacional brasileiro,” Gabriella Franco Borges disse. “Desde criança, assistíamos aos jogos de Michigan pela televisão e aprendi cedo a música que melhor representa o espírito dos Wolverines.”

Luiz Gustavo Borges também lembra de sempre ouvir o pai cantando “The Victors” na mesa do jantar quando menino; ele não memorizou a letra.

“Mas quando cheguei em Michigan, fazia parte da cultura do nosso time de natação cantar o hino todo sábado no final do treino,” ele disse. “Isso por quatro anos! Foram centenas de vezes.”

A primeira escolha

Em 2004, Gustavo Borges se aposentou das competições profissionais para fundar uma escola de natação que, desde então, se expandiu para incluir 400 academias, impactando mais de 250.000 alunos anualmente. Crédito da imagem: Fernanda Pires.
Em 2004, Gustavo Borges se aposentou das competições profissionais para fundar uma escola de natação que, desde então, se expandiu para incluir 400 academias, impactando mais de 250.000 alunos anualmente. Crédito da imagem: Fernanda Pires.

Nos anos 90, Gustavo Borges era um jovem atleta, perseguindo grandes sonhos para além do Brasil. O talentoso nadador recusou outras quatro ofertas de faculdades e seguiu seu coração para Michigan.

“Eu sempre quis morar em um lugar diferente,” ele disse. “Me lembro que, em uma das minhas visitas, caíram alguns flocos de neve. Eu nunca tinha visto neve antes.”
Borges logo superou as incertezas da vida universitária em um clima e em um país tão distantes de casa.

“Escolhi Michigan porque tive um bom pressentimento, sabe?” disse ele. “Senti uma forte conexão com a equipe e com o técnico Jon Urbanchek, e a tradição acadêmica influenciou muito.”

Entre 1991 e 1995, Borges equilibrou o treinamento intenso com as exigências de seu diploma em Economia pelo College of Literature, Science, and the Arts. Logo, o medo deu lugar às conquistas—e não apenas às medalhas.

Quando o filho de Borges, Luiz Gustavo, chegou a Michigan, ele encontrou um nome familiar no Canham Natatorium da U-M. Crédito da imagem: Fernanda Pires.
Quando o filho de Borges, Luiz Gustavo, chegou a Michigan, ele encontrou um nome familiar no Canham Natatorium da U-M. Crédito da imagem: Fernanda Pires.

“Ganhei uma casa longe de casa e cresci muito,” ele disse. “O aprendizado acadêmico não se compara à experiência que você tem em uma universidade. É o que você aprende de forma geral, como ser humano. Tive uma aula de cálculo extremamente difícil, que me ensinou muito mais do que qualquer outra matéria. Quando você se esforça muito em algo e depois rompe essa barreira, isso é valioso a longo prazo. O verdadeiro aprendizado é a superação.”

Conhecido por sua velocidade explosiva, Borges acumulou 10 títulos nacionais da NCAA, com oito em eventos individuais e dois em revezamento. Outros resultados foram impressionantes: 24 prêmios All-American, vitórias consecutivas no nado livre de 100 jardas, tornando-se o único atleta na história de Michigan a vencer o título por quatro anos seguidos—e o Campeonato Nacional de 1995. Em 2013, ele foi incluído no Hall da Fama da U-M.

Enquanto estava em Michigan, Borges nadou nas Olimpíadas de 1992, conquistando uma medalha de prata no nado livre de 100 metros. Ele também ganhou medalhas de prata e bronze nos Jogos Olímpicos de 1996 e um bronze nas Olimpíadas de 2000, e participou dos jogos de 2004.

O legado continua—à sua maneira

Enquanto estudava na Ross School of Business, Luiz Gustavo se destacou na natação, conquistando três títulos de campeão do Big Ten em revezamentos, 12 prêmios All-American e status de destaque individual no nível NCAA. Cortesia da imagem: Luis Gustavo Borges.
Enquanto estudava na Ross School of Business, Luiz Gustavo se destacou na natação, conquistando três títulos de campeão do Big Ten em revezamentos, 12 prêmios All-American e status de destaque individual no nível NCAA. Cortesia da imagem: Luis Gustavo Borges.

Quando Luiz Gustavo Borges chegou ao Canham Natatorium da U-M em 2017, o nome de seu pai já estava imortalizado: a touca olímpica de Gustavo Borges estava exposta no hall, ao lado de outros ícones como Michael Phelps, Connor Jaeger e Tyler Clary.

Sobrava pressão?

Longe de ser um peso, o legado de Borges serviu de trampolim para o filho, também nadador profissional.

“Meus pais sempre me incentivaram, mas nunca disseram que eu tinha que ir para Michigan”, disse Luiz Gustavo. “Pude comparar faculdades, conversar com atletas e técnicos e decidir por mim mesmo. Entendi que havia uma forte tradição lá, mas também espaço para construir minha própria história.”

“Eu encarei isso como uma oportunidade de ser a minha melhor versão. E fui além: consegui bater praticamente todas as marcas dele e quebrar o recorde do nado livre de 100 jardas.”

Enquanto estudava Administração na Ross School of Business (2018-2021), ele brilhou na natação: tricampeão da Big Ten em revezamentos, 12 prêmios All-American, destaque individual no NCAA e uma rotina de disciplina que espelhava a de seu pai.
“Somente com organização e dedicação é possível ser um atleta e estudante de alto nível. Aprendi a fazer as coisas com excelência, a dar o meu melhor todos os dias”, disse ele.

Fora d’água, ele reforça o espírito de união da equipe.

“Aos sábados, tínhamos treinos matinais exaustivos de quase quatro horas”, disse Luiz Gustavo. “Mas, quando terminava, íamos todos comer juntos na própria piscina, nos dormitórios ou em um restaurante. Depois, já vestidos em Maize and Blue, íamos para a ‘Big House’ torcer pelos Wolverines. Eu amava aqueles dias juntos.”

Um novo caminho, o mesmo espírito

Gabriela Franco Borges, com seus pais Gustavo e Bárbara, deu continuidade ao legado familiar na U-M, mas optou pelo remo em vez da natação. Cortesia da imagem: Família Borges.
Gabriela Franco Borges, com seus pais Gustavo e Bárbara, deu continuidade ao legado familiar na U-M, mas optou pelo remo em vez da natação. Cortesia da imagem: Família Borges.

Gabriella Franco Borges quase rompeu com a tradição.

“Queria criar meu legado em outro lugar, mas entendi que ele só se mantém se a família retorna,” ela disse. “Quando fui a um jogo no Big House, simplesmente me apaixonei. Na hora soube: era Michigan. Além de estar entre as melhores universidades do mundo, tem as quatro estações do ano, e Ann Arbor é a cidade mais americana que você pode ver nos filmes!”

Ela então trocou a natação pelo remo, mas continuou vestindo as cores Maize and Blue.

Como atleta da equipe de elite da U-M, ajudou o time a conquistar o 2º lugar na Big Ten, terminou entre as 10 melhores do país e se formou em Engenharia Industrial e de Operações em 2024, com distinção acadêmica.

“Várias meninas do time também faziam engenharia, então todas eram bem focadas tanto nos estudos quanto no esporte,” Gabriella disse.”Isso ajudou bastante na adaptação e no desempenho em ambas as áreas.”

Hoje, trabalhando na Dow Chemicals, em Michigan, ela aplica as lições do esporte à vida.

“Na U-M, aprendi muito sobre lidar com pessoas e trabalhar em equipe,” ela disse. “Nem sempre conseguimos fazer algo sozinhos, e reconhecer os talentos de cada pessoa pode ajudar muito nos projetos. No remo, você precisa conhecer cada integrante individualmente para só depois ganhar como equipe. Levo isso comigo para o trabalho todos os dias.”

Valores, empreendedorismo e impacto

"Quero continuar transformando vidas por meio do esporte, da educação e da saúde," diz Gustavo Borges. Crédito da imagem: Fernanda Pires.
“Quero continuar transformando vidas por meio do esporte, da educação e da saúde,” diz Gustavo Borges. Crédito da imagem: Fernanda Pires.

Borges seguiu sua vocação para além das piscinas. Em 2004, ele se aposentou das competições profissionais para fundar uma escola de natação que, desde então, se expandiu para 400 academias, impactando mais de 250.000 alunos anualmente no Brasil. Em 2025, ele foi reconhecido na lista Forbes 50 Over 50 e continua consolidando seu legado com disciplina e consistência.

Ao lado de seu filho, Luiz, ele inspira jovens por meio de palestras sobre esporte, educação e superação de desafios, continuando a trabalhar com a mesma intensidade com que se dedicava à busca de um pódio.

Sendo ex-alunos apaixonados por Michigan, esta dupla de pai e filho recentemente participou de um animado encontro de graduados sediado em São Paulo. Crédito da imagem: Fernanda Pires.
Sendo ex-alunos apaixonados por Michigan, esta dupla de pai e filho recentemente participou de um animado encontro de graduados sediado em São Paulo. Crédito da imagem: Fernanda Pires.

“Quero continuar transformando vidas por meio do esporte, da educação e da saúde”, disse Borges. “E é mais do que importante destacar que o nosso maior ensinamento vem dos valores familiares. As coisas simples que a gente precisa fazer na vida—como caprichar no que se tem para fazer e se comprometer com o que se deseja—aprendemos em casa. Michigan foi a escola perfeita para potencializar esses valores, que nasceram ali.”

Assim, para a família Borges, “The Victors” deixou de ser apenas um canto de vitória—na mesa de jantar, na sala de TV em São Paulo ou em eventos esportivos no campus de Michigan—para se tornar a trilha sonora que sempre acompanhará sua história familiar.

Matéria relacionada sobre Luiz Gustavo Borges: Just Keep Swimming

A reportagem para esta matéria foi possível graças a uma viagem a São Paulo, Brasil, para encontrar com a família Borges. Foi patrocinada pela Brazil Initiative da U-M do Center for Latin American & Caribbean Studies.