U-M está para se tornar o epicentro da pesquisa sobre a música de George & Ira Gershwin

setembro 16, 2013
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ANN ARBOR — A Escola de Música, Teatro & Dança (SMTD) da Universidade de Michigan firmou uma nova parceria com o patrimônio de George e Ira Gershwin para fornecer aos estudiosos de música da U-M, acesso completo a todos os trabalhos de Gershwin, rascunhos composicionais e partituras originais, para criar a primeira edição crítica de suas obras.

O acordo permite que a escola crie novas, definitivas partituras e peças para as composições de Gershwin, pela primeira vez um esforço contínuo e acadêmico serão feitos para estabelecer um material de atuação oficial que reflete com precisão a intenção do compositor e letrista.

A edição irá catalisar um amplo esforço educacional no campus, conhecido como a Iniciativa de Gershwin, que incluirá apresentações de estudantes da música de Gershwin, novos cursos e simpósios acadêmicos de alcance nacional e com impacto.

A edição crítica de George e Ira Gershwin da Universidade de Michigan inclue uma análise acadêmica contínua da música de Gershwin, em que os estudiosos da U-M irão documentar e analisar, nota por nota e palavra por palavra, o tesouro das obras mostrado nas músicas de George Gershwin e nas letras de Ira Gershwin — incluindo “Porgy e Bess”, frequentemente considerada a maior ópera das Américas — assim como as célebres obras instrumentais de George Gershwin.

A edição crítica completa será composta de pelo menos sete séries e um número total de entre 35 e 45 volumes a serem disponibilizados em livro e formulários eletrônicos através dos editores musicais da European American Music e Schott International. Cada volume conterá um ensaio introdutório, se concentrando no gênese da composição e das performances tradicionais, como também nos comentários críticos que explicam as decisões editoriais e permitem que os artistas se envolvam na música com mais autoridade como intérpretes.

“A iniciativa Gershwin da U-M exemplifica como as artes prosperam dentro de uma grande instituição de pesquisa,” disse Mary Sue Coleman, presidente da U-M. “Com este projeto, a Universidade de Michigan comemora e protege a brilhante contribuição de dois dos artistas mais lendários das Américas, enquanto aumenta o número de bolsas de estudo para as artes e as oportunidades de performance para professores e alunos da Escola de Música, Teatro & Dança.”

O edição crítica George e Ira Gershwin dará aos maestros, músicos, artistas, estudiosos e ao público um maior conhecimento sobre os manuscritos originais de Gershwin e, em muitos casos, oferecerá os primeiros materiais de performance que vão refletir com precisão a visão dos criadores.

Além de “Porgy e Bess,” famosas obras a serem incluídas na revisão acadêmica incluem “Rhapsody in Blue,” de George Gershwin, “An American in Paris,” “Concerto em F” e “Cuban Overture,” juntamente com as partituras que os irmãos escreveram em conjunto, em mais de duas dúzias de musicais da Broadway e de Hollywood — resultando em algumas das canções mais reconhecíveis e amadas da história da música americana. Entre as dezenas de músicas imensamente populares que eles escreveram juntos estão “I Got Rhythm,” “S Wonderful,” “Embraceable You,” “Funny Face,” “They Can’t Take That Away From Me” e “Love is Here to Stay,” para citar apenas alguns.

“Nós estamos profundamente gratos por este generoso presente vindo do patrimônio de Gershwin. Ele nos permite conduzir bolsa de estudos rigorosa, que irá oferecer ao mundo uma maior valorização dos gênios George e Ira Gershwin e a abrir as portas para um olhar mais profundo do seu legado,” disse Christopher Kendall, diretor da Escola de Música, Teatro & Dança da U-M. “Nossa escola é idealmente adequada para este projeto. É um centro de reconhecimento internacional da musicologia americana e dos estudos teóricos e um árbitro de excelência nas áreas de performance de música clássica, jazz, ópera, dança e teatro musical — tudo o que se figura fortemente na música de Gershwin.”

Preservando um Legado

As obras de Gershwin nunca receberam o benefício de uma edição acadêmica, parcialmente devido à morte prematura e trágica de George Gershwin, vítima de um tumor cerebral aos 38 anos de idade. Enquanto prontamente acessível em impresso e em gravações, as partituras e outras partes de muito das obras de Gershwin circulam em edições precárias — muitas vezes difícil de ler as fotocópias de partituras manuscritas — que contêm erros de notações e confusas incoerências. Mesmo as partituras notáveis como “Porgy and Bess” e “Rhapsody in Blue” são conhecidos apenas nas edições discutíveis que reduzem as performances devido à perda de tempo nos ensaios, na melhor das hipóteses e, na pior das hipóteses, causando erros de desempenho.

“Preservar o legado e compartilhar a genialidade de George e Ira Gershwin é o objetivo principal da criação de uma edição crítica do trabalho deles,” disse Marc Gershwin, sobrinho de George e Ira Gershwin e membro majoritário do Marc George Gershwin LLC e administrador do Arthur Gershwin Testamentary Trust, que são os proprietários e os administradores dos direitos autorais de George Gershwin. “A Universidade de Michigan, com disciplinas de pesquisa e performance que correspondem a música de Gershwin, vai ser a casa ideal para este projeto. Nós acreditamos que esta parceria vai ajudar George Gershwin a ter seu lugar, durante os próximos séculos, entre os compositores preeminentes do século XX.”

“Eu estou tão emocionado que as obras de George e Ira Gershwin vão receber a atenção acadêmica que elas ricamente merecem,” disse Michael Strunsky, sobrinho de Ira Gershwin e administrador do Ira and Leonore Gershwin Trusts, que detém e gerencia os direitos autorais de Ira. “O livro de músicas de Gershwin manteve sua popularidade ao longo do último século e não mostra sinais de parar. É uma música muito americana e estamos ansiosos para garantir seu futuro legado através desta importante pesquisa.”

Esta parceria substancial e historicamente significativa entre as famílias de Gershwin e a U-M foi iniciada por Todd Gershwin, um ex-aluno da U-M que é sobrinho-neto de George e Ira Gershwin e o filho de Marc Gershwin. O projeto vai ser supervisionado por Mark Clague, professor adjunto de Musicologia da U-M e diretor de pesquisa da SMTD, que servirá como editor-chefe da edição crítica George e Ira Gershwin.

Esta bolsa de estudos, tão esperada por tanto tempo, eleva o trabalho de Gershwin ao panteão dos maiores compositores das Américas, localizado nas prateleiras das biblioteca e estantes musicais juntamente com a música de Stephen Foster e Charles Ives e mestres canônicos europeus como Bach, Beethoven e Brahms.

Uma variedade dos principais músicos e estudiosos se juntaram ao Conselho Consultivo do projeto, incluindo o compositor William Bolcom e a cantora Joan Morris; o empresário da Broadway Robert Nederlander Sr. (Regente Emérito da U-M); os musicólogos e historiadores Richard Crawford, Walter Frisch, Joseph Horowitz e Robert Kimball; os condutores Laura Jackson, Andrew Litton e Michael Tilson Thomas; e os vocalistas Michael Feinstein, Thomas Hampson e Jessye Norman.

Para a Escola de Música, Teatro & Dança da U-M, oportunidades educacionais únicas para estudantes serão criadas com essa parceria. Para a edição crítica, os estudantes de doutorado de Musicologia irão atuar como assistentes editoriais e de produção, aprendendo sobre o processo de publicação e sobre a música de Gershwin. Para os granduandos em Performance, as oportunidades surgirão para a participação em testes de performances, workshops, concertos e gravações de novas partituras recentemente pesquisadas e canções. Impacto educacional adicional incluirá cursos, tais como seminários de pesquisa sobre os Gershwin, cursos sobre os princípios e as práticas de edição acadêmica, classes sobre os Gershwin e a cultura americana, e a nomeação de um Estudante Bolsista Gershwin (estudante ou artista visitante) que poderia contribuir bastante para a edição Gershwin, dirigir performances de um show e/ou ensinar um ou mais cursos na U-M.

Um centro para bolsa de estudos da música americana

Para a U-M, essas raras bolsas de estudo com direitos ao catálogo de Gershwin chamam atenção ao que é amplamente conhecido nos círculos acadêmicos, mas menos conhecidos do público mais abrangente: a Escola de Música, Teatro & Dança da U-M tem um dos programas de pesquisa em música americana mais duradouros e mais proeminentes do país e do mundo. Estabelecido no início da década de 1940, o Departamento da Escola de Musicologia foi um dos primeiros a abraçar os estudos da música americana e agora é um dos principais centros de pesquisa da música americana.

Durante os últimos seis anos, o Departamento de Musicologia da SMTD da U-M supervisionou a coleta, a redação e a edição de mais de 9.000 registros sobre pessoas, lugares, práticas, gêneros, temas e tradições musicais americanas. Este trabalho acadêmico culminou, no início deste ano, na publicação da segunda edição do “The New Grove Dictionary of American Music,” editado e coordenado pelos professores de Musicologia da U-M, Charles Garret e Mark Clague e publicado pela Oxford University Press. Conhecido como “AmeriGrove,” o trabalho é considerado como recurso definitivo sobre as influências que moldaram a história da música americana.

Por mais de meio século, a U-M tem sido a casa de figuras-chave na educação da música americana e de bolsistas, incluindo Raymond Kendall, que ensinou um dos primeiros cursos dedicados à música americana; Allen Britton, um professor inovador de educação musical e estudioso dos hinos; H. Wiley Hitchcock, um dos primeiros defensores do estudo da música americana e fundador do Instituto de Estudos em Música Americana; e Richard Crawford, que é considerado um dos mais eminentes americanistas no campo da musicologia atual. Crawford, agora um professor emérito da U-M, tem dirigido estudos extensos em música popular e jazz e atualmente está concluindo uma importante biografia de George Gershwin.

“Com ‘AmeriGrove’, o conhecimento principal no campo da música americana foi ampliado e aprofundado por pesquisadores da U-M, trabalhando de perto com estudiosos de todo o mundo,” disse Clague. “A edição crítica George e Ira Gershwin estende este trabalho explorando a criatividade musical no cruzamento de rotas musicais como blues, música popular, jazz, da Broadway e, claro, da tradição da Europa Ocidental todos se cruzam. Queremos celebrar a magia da distanta imaginação americana de Gershwin e compartilhar nossas pesquisas com estudantes, acadêmicos, músicos e o público de todo o globo. Estou emocionado e honrado por ajudar a trazer o gênio Gershwin para a próxima geração.”

Em 1988, a SMTD da U-M fundou o Instituto de Música Americana (AMI) para promover a investigação colaborativa da vida musical nos EUA. Desde então, o AMI se tornou o quartel-general para a “Música dos Estados Unidos da América,” um empreendimento colaborativo, administrado pela Sociedade Americana de Musicologia. A MUSA publicou 25 impressões de uma série de 40 volumes de edições críticas dedicadas à expansão do legado da música americana, disponível para estudo e performance, incluindo música clássica, jazz, nativa americana, teatro musical e canções de Tin Pan Alley. Além da notação musical, cada volume inclui um ensaio substancial e um aparato editorial crítico.

O público pode acompanhar conforme os pesquisadores mergulham em documentos e materiais de Gershwin. Para ver uma lista das composições de Gershwin no âmbito acadêmico, juntamente com uma variedade de informações relevantes sobre o compositor e letrista, status das bolsas de estudo e o compromisso das descobertas, visite www.music.umich.edu ou diretamente a página www.music.umich.edu/ami/gershwin