Uso passivo do Facebook prejudica o bem-estar das pessoas

março 3, 2015
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Sobre a opinião do ombro da mulher que usa o Facebook em um computador laptop. (da imagem)ANN ARBOR—Usar o Facebook apenas para dar uma olhadinha no news feed ou procurar perfis dos seus amigos pode ter um impacto negativo no seu bem-estar, diz pesquisador da Universidade de Michigan.

Ethan Kross, professor de psicologia da U-M e seu colaborador Philippe Verduyn, da Universidade Católica de Louvain, na Bélgica, examinaram como o uso passivo versus o uso ativo do Facebook afeta os usuários.

Só no Brasil, o Facebook tem 89 milhões de usuários. A rede social é acessada diariamente por 59 milhões de brasileiros, segundo dados divulgados no segundo trimestre de 2014. O país está em terceiro lugar em número de usuários em todo o mundo, atrás somente dos EUA e da Índia.

As conclusões, que aparecem na atual edição do Journal of Experimental Psychology, complementa um trabalho anterior dos pesquisadores que conclui que, em geral, há uma queda no bem-estar das pessoas que passam muito tempo à frente do Facebook.

No trabalho atual, Kross e Verduyn completaram dois estudos: uma experiência de laboratório, que permitiu aos pesquisadores esboçarem inferências sobre causas e efeitos, e um estudo de amostragem de experiência, que os permitiu examinar como o uso do Facebook prejudica o bem-estar emocional na vida diária das pessoas, ao longo do tempo.

Em ambos os estudos, eles acharam que uso passivo do Facebook leva a declínios consistentes de como as pessoas se sentem ao longo do tempo, principalmente pelo aumento de sentimentos de inveja em relação aos outros.

Curiosamente, na maior parte do tempo, as pessoas usam o Facebook passivamente, em vez de serem mais ativas — postando atualizações de status, respondendo a outras postagens dos amigos e no bate-papo — que não tem implicações para o bem-estar das pessoas.

“Estas descobertas ajudam a ilustrar como o uso do Facebook prejudica a forma que as pessoas se sentem,” disse Ethan Kross, autor sênior do estudo e professor associado de Psicologia do Instituto de Pesquisa Social da U-M. “Eles também fornecem às pessoas um modelo de como reduzir os efeitos negativos que a interação com esta tecnologia pode ter na forma como as pessoas se sentem. “

O primeiro estudo envolveu cerca de 80 alunos de graduação. Eles foram instruídos a usar o Facebook ativamente ou passivamente por 10 minutos em um ambiente controlado de laboratório. Quando os alunos usaram o Facebook passivamente, eles se sentiram significativamente piores no final do dia. Isto não era o caso dos estudantes que usaram o Facebook ativamente.

No segundo estudo, os pesquisadores examinaram se o uso passivo do Facebook previa resultados semelhantes quando as pessoas decidiam usar espontaneamente o Facebook no dia-a-dia. Cerca de 80 alunos de graduação receberam cinco mensagens diárias durante seis dias consecutivos.

Cada mensagem de texto continha um link para um questionário on-line que os pedia para responder uma série de perguntas para avaliar as suas emoções e a frequência do quanto usaram o Facebook passivamente versus ativamente. O uso passivo do Facebook prevê o aumento da inveja, que por sua vez, prevê declínios no bem-estar das pessoas ao longo do tempo. O uso ativo do Facebook não tem o mesmo efeito.

Foi encontrado um lado bom no segundo estudo. Repetindo diretamente as descobertas anteriores sobre o tema, os autores constataram que quanto mais as pessoas interagiam diretamente com outras pessoas “off-line,” mais o humor delas melhorava de um momento para o outro.

Os pesquisadores notaram que as conclusões levantam uma questão sobre porque as pessoas continuam a usar o Facebook passivamente se isso afeta negativamente como se sentem ao longo do tempo. Os dados não abordaram esta questão, mas os pesquisadores encontraram, pelo menos, uma explicação para este fenômeno.

“É possível que a motivação das pessoas para “manter contato” supere as preocupações que elas têm sobre como interagir com esta tecnologia pode influenciar seus sentimentos”, disse o autor Philippe Verduyn, da Universidade Católica de Louvain.

 

Ethan Kross
U-M Department of Psychology