Áreas protegidas previnem, com sucesso, o desflorestamento na floresta Amazônica

março 12, 2013
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Áreas protegidas previnem, com sucesso, o desflorestamento na floresta AmazônicaANN ARBOR — Áreas estritamente protegidas como parques nacionais e reservas biológicas têm sido mais eficazes na redução do desflorestamento na floresta Amazônica do que as chamadas áreas de uso sustentável que permitem a extração controlada de recursos, segundo dois pesquisadores da Universidade Michigan e seus colaboradores.

Adicionalmente, as áreas protegidas estabelecidas principalmente para preservar os direitos e o sustento dos indígenas, se desempenharam muito bem especialmente em lugares onde a pressão de desflorestamento é alta. O estudo da U-M, que descobriu que todas as formas de proteção limitam o desflorestamento com sucesso, tem publicação on-line agendada para 11 de Março no Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, PNAS, (Proceedings of the National Academy of Sciences.)

O principal autor do estudo é Christoph Nolte, candidato ao programa de doutorado da Escola de Recursos Naturais e Meio Ambiente (SNRE) da U-M. O professor de Recursos Naturais, também da SNRE, Arun Agrawal, é um dos co-autores.

“Possivelmente a maior surpresa desse estudo foi descobrir que as terras indígenas têm um melhor desempenho em minimizar o desflorestamento, nos momentos de alta pressão,” disse Agrawal. “Muitos observadores sugeriram que dar aos indígenas autonomia substancial e direitos para cuidar de grandes áreas de terra na Amazônia leve a altos níveis de desflorestamento, porque os grupos indígenas iriam querer tirar proveito dos recursos à disposição deles.

“Este estudo mostra que — baseado em evidências atuais — tais receios são um engano,” ele disse.

A prevenção do desflorestamento das florestas tropicais é um objetivo para conservar a biodiversidade e, mais recentemente, para reduzir a emissão de gás carbônico na Amazônia Brasileira, que cobre uma área de quase 2 milhões de milhas quadradas.

Depois de ser manchete internacional em inúmeras ocasiões por causa do alto índice de desflorestamento da Amazônia entre 2000 e 2005, o Brasil baixou radicalmente esse índice de desflorestamento na segunda metade da última década. Embora parte dessas reduções foram atribuídas por causa da queda dos preços das commodities agrícolas, recentes análises mostram também que as políticas reguladoras do governo — incluindo um drástico aumento em atividades de execução e a expansão e fortificação de redes nas áreas de proteção — também contribuiram significativamente para as reduções observadas.

Nesse estudo, os pesquisadores da U-M e seus colaboradores usaram o novo

sensoriamento remoto baseado em dados coletados em 292 áreas protegidas na Amazônia Brasileira, junto com uma análise estatística sofisticada, para avaliar a eficácia dos diferentes tipos de áreas protegidas. Eles avaliaram três categorias de áreas protegidas: áreas estritamente protegidas, áreas de uso sustentáveis e terras indígenas.

As áreas estritamente protegidas — estações biológicas estaduais e nacionais, reservas biológicas, e parques nacionais e estaduais — evitaram constantemente um maior desflorestamento do que áreas de uso sustentável, independentemente do nível de pressão do desflorestamento. As áreas de uso sustentável permitem a extração de recursos controlada, a modificação de uso de terra e, em muitas situações, acordos humanos.

“Análises anteriores sugeriam que, por não permitir nenhum uso de recurso, a proteção estrita é tão polêmica que tem uma menor probabilidade de ser implementada em áreas onde as pressões de desflorestamento são altas — perto de cidades ou áreas de alto valor agrícola, por exemplo,” disse Nolte.

“Mas observamos que as recentes designações do governo brasileiro colocaram novas áreas estritamente protegidas em áreas de alta pressão, atenuando este argumento anterior,” ele disse.

Centenas de milhões de pessoas nos trópicos dependem das florestas para sua subsistência. As famílias dependem de produtos florestais como a lenha, a forragem de gado e a madeira para alojamentos.

Os co-autores do estudo do PNAS são Kirsten M. Silvius, da Fundação Gordon e Betty Moore, e Britaldo S. Soares-Filho da Universidade Federal de Minas Gerais, no Brasil.

A pesquisa foi apoiada pela Fundação Gordon e Betty Moore, pelos Direitos e Recursos Iniciativa, pelo Instituto de Sustentabilidade Graham da U-M, pela Fundação Nacional de Ciências e pelo Conselho Nacional Brasileiro do Desenvolvimento Científico e Tecnológico.