Comportamento desonesto prejudica capacidade de ler as emoções de outras pessoas

setembro 19, 2019
Contact: Fernanda Pires fpires@umich.edu

Fingers crossed behind a person's back. Image credit: Pixaby user, tswedensky

ANN ARBOR—Pessoas com comportamentos desonestos não prejudicam apenas quem age errado—elas também se prejudicam.

Julia Lee, professora assistente de Administração e Organizações da Escola de Negócios Ross, da Universidade de Michigan, descobriu que indivíduos que se envolvem em comportamentos desonestos se tornam menos precisos ao ler as emoções de outras pessoas.

Os resultados sugerem que ações antiéticas podem afetar diretamente a maneira como as pessoas pensam.

Para chegar a suas conclusões, Lee e seus colaboradores desenvolveram experimentos que envolviam rolar um dado, prever o resultado e ser pago pelas previsões corretas.

Para alguns participantes, foi possível trapacear para ganhar mais dinheiro, enquanto para outros não foi possível trapacear. Em seguida, os participantes foram convidados a avaliar as emoções dos outros indivíduos—um dos experimentos usou atores em vídeos, enquanto o outro usou pessoas reais no laboratório.

“Descobrimos que existe uma relação entre se comportar mal e a capacidade de ler as emoções de outras pessoas,” disse Lee.

De acordo com o estudo, a trapaça levou a uma capacidade reduzida de interpretar com precisão os sentimentos dos outros. É a primeira vez que esse vínculo foi estabelecido. A pesquisa foi publicada no Journal of Experimental Psychology: General.

Ler emoções é uma habilidade importante, disse Lee, porque você não pode se oferecer para ajudar alguém que está enfrentando algum problema, se nem você pode dizer que algo está errado.

“Construir uma organização solidária começa pela capacidade de ler as emoções de outras pessoas com precisão,” disse ela.

Além disso, os pesquisadores descobriram que, depois de trapacear uma vez, a capacidade reduzida de ler emoções tornava o participante ainda mais propenso a trapacear pela segunda vez.

“É um ciclo vicioso,” disse Lee. “Tivemos um estudo que mostrou que, como resultado desse ciclo vicioso, é mais provável que você desumanize outras pessoas”.

Isso alimenta preconceitos negativos em relação aos membros do grupo externo, e é um grande problema para muitas organizações que tentam ter um ambiente de trabalho mais inclusivo, disse ela.

Julia Lee